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Estigma e Sexo

A história das mulheres, do ponto de vista dos direitos e da cidadania começa em 1910, a partir da II Conferência Internacional de Mulheres, quando se propôs que o dia oito de março fosse lembrado como o Dia Internacional da Mulher, em homenagem às 129 tecelãs de uma fábrica de Nova York que, ao reivindicarem a diminuição de sua jornada de trabalho, acabaram mortas. A data foi oficializada como símbolo da luta pela igualdade de diretos entre homens e mulheres.

Em 1967, foi proclamada a Declaração Universal dos Direitos da Mulher pela ONU (Organização das Nações Unidas) e 1975 foi declarado o Ano Internacional da Mulher. Pode-se dizer que uma das revoluções do século XX foi a da mulher, e a transformação do lugar social ocupado por elas.

Embora as mulheres tenham conquistado espaços no trabalho, na família, na mídia, nas artes, na política, ainda há questões a serem resolvidas: a diferença de salários entre homens e mulheres que desempenham a mesma função é uma delas. A questão que envolve a sexualidade é outra.

Em geral, o tema da sexualidade tem mais vigor na adolescência, para moças e rapazes, tenham ou não atividade sexual. Esta é a fase, da preocupação com a aparência, com "o que os outros acham". A família deixa de ser "a" referência; liberdade, ousadia, quebra de regras estão na ordem. Sem falar nos hormônios em ebulição!

Estas alterações ocorrem em nos jovens. Para os que têm esta condição, sentimentos de insegurança, angústia, medo são ainda mais acentuados.

Se nessa idade uma espinha no rosto já é considerada um problema, como será considerada a evidência de um defeito genético? Como manter a auto-estima? Como usar as roupas da moda? Como a garota com um visual menos atraente aprende a usar maquiagem? E pince, pode? São inúmeras as indagações decorrentes desta situação e merecem atenção.


O que fazer?

É necessário que os pais e a escola se preparem para estas (e outras) questões que irão surgir, nesta faixa etária. O papel da escola é contribuir com a com a informação e a quebra de preconceitos. Os professores devem estar atentos, identificando oportunidades de abordar as questões trazidas pela adolescência, dentre as quais a da sexualidade que se apresenta, de forma imperativa, utilizando textos, filmes, literatura e alternativas didático-pedagógicas.

Já temos livros que falam sobre a sexualidade das pessoas; dentre os quais destacamos o do psicólogo Freud, especializado em sexologia e que aborda os tabus que envolvem a sexualidade das pessoas com deficiência, no livro.

Alternativa que o professor pode adotar é trazer uma pessoa para conversar com os alunos sobre isso. Esta é uma estratégia interessante, pois aproxima a questão, tratando-a no plano da experiência pessoal, não do discurso frio e distante.

Os pais também devem sentir-se tranqüilos para responderem às perguntas das filhas, trazendo informações, conversando e reconhecendo sua sexualidade e o direito a exercê-la.

É muito importante que os educadores e os pais tenham conhecimento destas questões, pois o que dizem e o que expressam de forma não verbal, através de olhares, silêncios, expressões faciais influenciam a forma como aquela adolescente lidará com a sexualidade. É uma fase muito difícil e importante, com descobertas de um corpo em transformação e com experiências no plano das relações amorosas.


 Estigma

O tema possui um estigma social que se reflete também no plano da sexualidade.

Acredita-se que a mulher não tem sexualidade normal. Ela tende a ser vista de forma infantilizada, a ser protegida e cuidada - (esta postura é bastante comum, especialmente com adolescentes com deficiência mental). Outro equívoco é vê-las como assexuada, que devem ser tratadas apenas como "amigas" por seus colegas de classe.

Esse estigma também traz outros equívocos: mulheres com deficiência física, em cadeira de rodas, não podem ter filhos ou exercer o ato sexual, ou que as mulheres cegas possuem um toque mais sensível, o que tornaria o ato sexual muito mais prazeroso.

Enfim, são muitos os equívocos que precisam ser desfeitos: a mulher com deficiência física ou motora pode ter filhos, pois não há relação nenhuma entre deficiência (seja ela qual for) e fertilidade, a não ser que a infertilidade seja ocasionada por fator externo à deficiência, assim como ocorre com mulheres sem deficiência.

A mulher com deficiência visual é, antes de tudo, uma mulher, que tem possibilidade de exercer sua sexualidade, assim como pode escolher se quer ter filhos ou não.

É importante levar esta informação às pessoas, pois quem nunca teve a oportunidade de conviver com a vida das mulheres, provavelmente carrega estes falsos conceitos consigo. Também é fundamental que a própria adolescente possa reconhecer e exercer sua sexualidade. É justamente em decorrência deste autoconhecimento que o outro passará a enxergá-la e como uma possibilidade amorosa.

Em nossa sociedade, valores como a beleza física e a perfeição são muito valorizados e divulgados pela mídia, fazendo-nos erroneamente atribuir ou restringir a sexualidade ao aspecto físico. Assim, muitas adolescentes obesas, por exemplo, também acabam vítimas destes estigmas sociais, como os casos de bulimia e anorexia comprovam. Porém, Freud já dizia que a sexualidade é algo bem mais amplo que o seu plano físico; envolve questões afetivas, da história familiar de cada um, de ordem social e cultural.

Embora nem todas tenham lido Freud, muitas mulheres com deficiência namoram, casam, têm filhos, trabalham, enfim, exercem plenamente a sua condição feminina, pois entendem e vivem a sexualidade e a sensualidade sem preconceitos.