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Doenças e Tratamentos


 

 

ALCOOLISMO

O álcool etílico é a droga psico-ativa mais utilizada no mundo.

Atualmente, o abuso desta droga vem alcançando proporções massivas, tanto em países desenvolvidos como nos países em desenvolvimento, e está associado a uma série de conseqüências adversas, das quais o alcoolismo é apenas uma pequena parte, ainda que seja a de maior relevância do ponto de vista clínico. O problema do alcoolismo se transformou, sem dúvida, num dos fenômenos sociais mais generalizados das últimas décadas. Uma grande variedade de estudos para tentar estabelecer as suas verdadeiras dimensões foram criados, frutos da grande importância deste fenômeno.

 

Muitos destes estudos coincidiram em assinalar a grande repercussão que o consumo de bebidas alcoólicas teve nos últimos anos no sistema hospitalar. Destacando que as camas hospitalares dedicadas aos dependentes de drogas ou do álcool foi duplicado e que de 20 a 30% estão ocupadas por pessoas com problemas relacionados ao álcool. A imensa maioria dos autores afirma que de 15 a 20 % das consultas recebidas pelos médicos de família são atribuídos à ingestão do álcool e/ou de drogas.

 

Existe, além disso, uma ampla gama de problemas nos quais o álcool tem direta ou indiretamente um papel principal. Os tipos de problemas relacionados com o álcool são agrupados da seguinte maneira: problemas médicos, tanto físicos como psicológicos; nos relacionamentos familiares, laborais e sociais; acidentes domésticos, laborais ou de trânsito; condutas violentas e lesões auto-infligidas. Igualmente, também foi estabelecido que o álcool está relacionado com 40 a 50% dos acidentes de trânsito e 15 a 20% dos acidentes laborais e em 50% dos homicídios.

 

Causas:

 

Foi estabelecido que inúmeros fatores do tipo biológico, psicológico e social estão envolvidos na origem do alcoolismo e que a interação com fatores genéticos aumenta sua predisposição. Diversos estudos mostraram que a existência do alcoolismo ocorre com mais freqüência em familiares diretos de alcoólatras do que em familiares de não alcoólatras.

 

A história da humanidade nos mostra o gosto constante que o homem em geral tem pela bebida alcoólica. Desde sempre as bebidas alcoólicas são preferidas mais do que as outras, pelo seu efeito tônico e euforizante, para aliviar a angústia e para liberar o que está reprimido. Como se não bastasse a "satisfação oral" que a pessoa procura e os valores simbólicos de seu uso, certas particularidades são atribuídas ao álcool vulgarmente como por exemplo, "o álcool nos dá força e virilidade dos quais podemos nos orgulhar" ou que o vinho e o álcool "levantam o ânimo".

 

A evidência dos fatores sócioculturais no alcoolismo está demonstrada pela variação da proporção de alcoólatras segundo os grupos profissionais, sociais, as civilizações e segundo o sexo. Nos grupos profissionais é comum distinguir os empregos que predispõem o indivíduo a um excessivo consumo de álcool: trabalhos braçais, tarefas ao ar livre nas profissões agrícolas, trabalhos relacionados com a produção e a comercialização de bebidas alcoólicas e as profissões que impõem uma separação familiar periódica ou freqüente (marinheiros ou viajantes).

 

A relação estreita com outros alcoólatras, parece desempenhar um papel importante no hábito do alcoolismo, sobretudo nos primeiros períodos da vida, quando os mecanismos de imitação inconsciente e de identificação são mais naturais. Assim, é muito mais fácil de se encontrar um pai alcoólatra quando há na casa um outro alcoólatra. A pressão que os amigos exercem ou a pressão que o lugar de encontros exerce é muito importante e determinante na origem do alcoolismo. Em outras palavras, mesmo que para se tornar adito seja necessário ter uma personalidade alcoólatra, esta necessita a influência de determinados fatores sócioculturais para se desenvolver.

 

Manifestações:

 

Geralmente se trata de pessoas que passaram dos 40 anos de idade e cuja história etílica existe há muitos anos. Os alcoólatras caracteristicamente apresentam o rosto avermelhado, a conjuntiva dos olhos amarelada e têm um odor especial no hálito.

 

As palavras são inseguras, precipitadas e às vezes balbuciantes. Também pode se observar, imediatamente à ingestão do álcool, um tremor ao redor da boca e um aumento na transpiração. As manifestações psíquicas começam com a modificação do caráter: aumento da emotividade, irritabilidade, impulsividade, ciúmes, instabilidade de humor com freqüentes crises depressivas. Conjuntamente aparecem alterações intelectuais com uma diminuição do rendimento de trabalho, dificuldade de concentração e de atenção, certa confusão nos processos intelectuais, redução da eficiência profissional, absentismo e regressão no comportamento e nas relações sociais.

 

Logo após consumir álcool, em quantidade excessiva ou não, aparecem brechas na memória, em que o sujeito comprova no dia seguinte que não se lembra o que fazia enquanto bebia. Na ordem afetiva os resultados são bastante claros: tendências egoístas; diminuição no sentido ético e de responsabilidades; demonstra uma total despreocupação e indiferença à sua família protestando pela sua falta de autoridade em casa e pelo desprezo do qual é objeto, principalmente por parte dos filhos. Manifestam seu arrependimento e prometem deixar a bebida mediante juramentos. Despertam bruscamente no meio da noite, cobertos por um abundante suor, sobretudo durante episódios de pesadelos ou sonhos inquietantes. A respeito do sistema digestivo, apresentam freqüentes gastrites, dores abdominais, sede abundante, perda do apetite e náuseas acompanhadas de diarréias fétidas freqüentes.

 

O fígado aumenta de tamanho causando uma sensação de peso na região direita do abdômen e vômitos que finalmente pode levar à cirrose hepática e à acumulação de líquido no abdômen. Os transtornos do sistema nervoso se caracterizam por um pequeno e rápido tremor nas mãos e na língua, câimbras musculares sobretudo na barriga da perna, sacudidas noturnas, formigamento nas extremidades e atrofia nos músculos. O alcoolismo na mulher ocupa um lugar à parte porque mesmo tendo características comuns ao alcoolismo no homem, estes se distinguem por fatores sócioculturais que determinam o status da mulher na nossa sociedade. Os grupos sociais são menos indulgentes com as mulheres.

 

Neste caso, trata-se de um alcoolismo mais secreto, solitário e controlado pelo sentimento de pudor que desencadeia a culpabilidade. O alcoolismo degrada mais rapidamente e mais profundamente a mulher, em seu status e em seu papel feminino e maternal, do que degrada ao homem em seu papel masculino e paternal. A rejeição e a intolerância social é mais viva e mais precoce para a mulher do que para o homem. Nos filhos de mães alcoólatras podem ser observadas doenças como a "síndrome alcoólica fetal", caracterizada pelo retardamento no crescimento e no desenvolvimento, retardamento mental e diversas alterações congênitas.

 

Tratamento:

 

O primeiro objetivo é conseguir, por parte da pessoa alcoólatra, a compreensão de sua doença e a necessidade de seguir um tratamento adequado. A partir daí, as seguintes etapas serão a desintoxicação alcoólica, a desabituação e o acompanhamento médico posterior.

 

Em poucas ocasiões estas pessoas fazem consultas diretamente pelo seu problema de adição, já que eles não estão conscientes dele ou têm uma atitude negativa como mecanismo de defesa. Na maioria dos casos, o motivo das consultas são queixas por parte da família ou a presença de complicações do tipo orgânica ou do tipo psicossocial. Para a desintoxicação, em primeiro lugar deve se suspender a ingestão do álcool e corrigir o déficit nutricional causado pelo consumo excessivo do álcool. Diante da possibilidade, ainda que seja mínima, de que apareça a síndrome de abstinência (ansiedade, tremor, insônia, taquicardia, transpiração, náuseas, vômitos e diarréia) são indicados sedativos como o tetrabamato. Além disso, é conveniente indicar vitaminas B1, B6 e B12 durante o tratamento. Em todos os casos, a síndrome de abstinência deve ser acompanhada de tratamento psicológico.

 

Quanto aos diversos grupos de apoio aos alcoólatras, nenhum outro grupo de tratamento tem tido resultados tão benéficos para os alcoólatras como aquele proporcionado por eles mesmos, através dos Alcoólatras Anônimos.

 

Estes grupos põem as pessoas doentes em contacto com companheiros abstêmios, sempre acessíveis, dentro de um ambiente onde possam estabelecer relações sociais fora do bar.

 

Além disso, escutam outras pessoas confessar ao grupo as mesmas justificativas que ele mesmo já havia feito, em particular, sobre sua propensão à bebida. Esta ajuda pode lhe devolver a auto-estima e a autoconfiança que antes somente encontrava no álcool. Outro medicamento utilizado é o disulfiram, que interfere no metabolismo do álcool, acumulando produtos intermediários causando sintomas de intoxicação e intensos mal-estares, como rubor facial, conjuntivas dos olhos avermelhadas, cefaléia pulsátil, taquicardia e transpiração. De 30 a 60 minutos após a ingestão, aparecem náuseas e vômitos, pode haver diminuição na pressão arterial, vertigem e às vezes perda do conhecimento. Os mal-estares são tão intensos que poucos pacientes se arriscam a ingerir álcool enquanto estão tomando disulfiram. O disulfiram está contra-indicado durante a gravidez e aos pacientes com descompensação cardíaca.

 

ALERGIA

Introdução:

O ser humano se encontra cercado por uma grande diversidade de agentes capazes de provocar patologias, contra as quais o nosso organismo pode se defender graças ao sistema que nos protege de substâncias estranhas de maneira eficaz.

 

O sistema imunológico é aquele que permite o reconhecimento dessas substâncias, montando em contrapartida uma resposta frente às estruturas ou agentes que lhe são estranhos, com a intenção de preservar a integridade do dito organismo. Isso é o que é conhecido como "resposta imunológica". O sistema imunológico é constituído por uma grande diversidade de células e órgãos (onde estas células amadurecem e desenvolvem).

 

Ademais, diversas substâncias são produzidas em resposta aos mencionados agentes agressores.

 

Definição:

 

A alergia é uma resposta exagerada do nosso organismo quando este entra em contato com determinadas substâncias provenientes de fora, podendo produzir uma lesão nos tecidos ou uma enfermidade.

 

Os Alergênios:

 

Os alergênios são aquelas substâncias capazes de desencadear uma reação alérgica. Podem ser classificados de acordo com a causa em:

 

Inalantes: Poeira doméstica, fungos, ácaros, pelos de animais, pólens.
Digestivos: Alimentos (trigo, ovos, cítricos, chocolate, pescado, soja), medicamentos (penicilina, aspirina).
Infectantes: Parasitas, bactérias, vírus.
Injetáveis: Medicamentos, venenos por picadas de insetos.
Através de Contato: Cimento, cromo, níquel, cosméticos, látex.

Reação Alérgica:

 

Todos estamos expostos a muitos alergênios e, na maioria, convivemos com eles sem problemas. Em uma pessoa não alérgica, a reação protetora que o organismo produz contra estas substancias é nula ou de baixa intensidade e permanece despercebida; enquanto em uma pessoa alérgica se desencadeará uma resposta exagerada cada vez que entre em contato com seu alergênio. Estas são as chamadas atópicas (aquelas pessoas predispostas geneticamente a desenvolver uma resposta exagerada contra estímulos provenientes do meio ambiente).

 

Quando uma substância estranha (alergênio ou antígeno) entra em contato com as células que compõem o sistema imunológico, inicia-se uma série de reações que culminam na formação de moléculas que, ao se unirem ao tal alergênio, conseguem destruir e, posteriormente, eliminá-lo. Estas moléculas mostram uma grande tendência a se unirem posteriormente a outros componentes celulares do sistema imunológico

 

ALZHEIMER

A doença de Alzheimer é uma enfermidade de causa desconhecida, na qual se desencadeia um processo degenerativo do sistema nervoso central, caracterizado por uma deterioração progressiva das funções intelectuais. Por sua frequência e pelas terríveis consequências que ocasiona nos planos pessoal, familiar e social, a doença de Alzheimer é considerada a mais séria das patologias degenerativas.

É a causa mais frequente de demência. Sua prevalência se incrementa em relação direta com a idade; é muito rara antes dos uarenta anos, aproximadamente 3% das pessoas maiores de 65 anos e quase 50% daqueles maiores de 85 anos sofrem dessa doença.

 

O processo degenerativo do córtex cerebral, de forma difusa, é o responsável pela deterioração das funções do sistema nervoso e das modificações da personalidade características desta doença.

 

Quadro Clínico:

A doença começa, geralmente, entre os 40 e 90 anos. O sintoma inicial costuma ser uma diminuição da memória quanto a fatos recentes e da capacidade de concentração, que vão imperceptivelmente se somando em dificuldades progressivas para a expressão e compreensão de linguagem, desorientação espacial, não reconhecendo bem o lugar onde se encontra.

 

Consciente desta diminuição, o indivíduo sofre mudanças de humor, podendo ficar ansioso e deprimido. A dependência em outras pessoas, a necessidade de se ter alguém a seu lado é cada vez maior. Os hábitos pessoais, as atividades sociais e de lazer que fazia antes, perderam seu valor, tornando-se a pessoa aborrecida e decadente. Numa porcentagem pequena dos casos, e somente nos estados avançados, se produzem alterações do sistema motor, como rigidez, e o caminhar que é feito em pequenos passos. A evolução da doença avança em direção à demência. Finalmente, se perde a capacidade de percepção, da fala e dos movimentos, inclusive com incontinência urinaria e fecal, caindo no que se conhece como estado vegetativo.

 

A doença é inexoravelmente progressiva. A morte tende a ocorrer como consequência das complicações, por exemplo pneumonia ou outras infecções, aos 4 a 10 anos do início da doença.

 

Tratamento:

Atualmente, nenhum dos tratamentos comprovados melhoraram significativamente as pessoas que padecem desta doença; e todos os esforços estão dirigidos ao alívio dos sintomas, utilizando distintos medicamentos à medida que os sintomas surgem. Alguns onsideram que o Alzheimer é uma doença de caráter familiar, já que ficar observando o sofrimento contínuo da vítima ocasiona um estado de tensão permanente, pelo qual uma terapia completa deve tomar em conta as necessidades da família, apoiando-a emocionalmente e assessorando-a com programas educativos sobre esta doença, a fim de proporcionar um ambiente confortável e seguro no lar.

 

O médico deve contribuir à consecução, para o doente, de um apoio humano adequado e fazer perceber a necessidade de que o paciente mantenha seus contatos sociais.

 

ANOREXIA E BULIMIA

Nos últimos anos, observa-se que há um número crescente de pessoas entre nós que apresentam transtornos no comportamento alimentar. Este aumento de incidência está relacionado à importância que se atribui à imagem corporal nos países desenvolvidos e às mudanças observadas nos padrões alimentares da população em geral.

A característica fundamental da anorexia nervosa é a perda proposital de peso induzida pela própria vítima, acompanhada de um desejo intenso de estar magro e, em mulheres, transtornos do ciclo menstrual. Alguns dos pacientes com anorexia nervosa apresentam, além desta conduta de restringir a ingestão alimentar, episódios de bulimia caracterizados por um desejo irresistível de comer grandes quantidades de alimentos em períodos curtos de tempo.

 

A maior incidência ocorre aos 14 e aos 18 anos, e a doença se desenvolve entre os 13 e os 20 anos de idade em 85% dos pacientes. Além disso, é estimado que entre 10% e 19% das estudantes universitárias apresentam sintomas bulímicos e que, deste grupo, entre 1% e 3% teriam bulimia nervosa.

 

Causa

 

Fatores predisponentes: A anorexia parece ser o resultado de uma combinação de fatores predisponentes individuais e de um quadro social que favorece o desenvolvimento de comportamentos restritivos, de vigilância do peso e da figura corporal.

Fatores psicológicos: Muito freqüentemente, os adolescentes que desenvolvem a doença têm uma personalidade característica: são perfeccionistas, pessoas reservadas, e têm bons rendimentos em distintas atividades (estudos, esportes, etc.).

Fatores familiares: As famílias destes adolescentes são superprotetoras, rígidas e caracterizadas por uma falta de resolução de conflitos.

Fatores genéticos: Aproximadamente entre 6% e 10% das irmãs destas pacientes apresentam também um transtorno na conduta alimentar.

 

Quadro Clínico

 

O sintoma predominante é o medo extremo de engordar, acompanhado de idéias sobrevalorizadas com respeito ao tamanho e ao peso do corpo, e o firme desejo de ser magro. As vítimas apresentam uma alteração na percepção de seu próprio corpo e negam que sofram de doença alguma ou que tenham um peso anormal.

 

Elas querem diminuir do peso corporal, inicialmente, mediante a restrição da ingestão de alimentos, de forma drástica, ou com dietas muito rígidas. Posteriormente, a perda de peso se mantém com vômitos auto-provocados, o consumo de laxantes, de fármacos anorexígenos, diuréticos e exercícios excessivos. As vítimas apresentam também hábitos alimentares muito alterados, comem sozinhas e passam muito tempo com o prato de comida na sua frente, remexendo os alimentos. Manifestam um grande interesse pela alimentação das outras pessoas, cozinhando para outros membros da família ou planejando dietas. Alterações também são observadas no ciclo menstrual e, se o início da anorexia for anterior à puberdade, apresentam alterações no crescimento e a persistência de órgãos genitais infantis.

 

Tratamento

 

O primeiro objetivo no tratamento é a recuperação de um estado normal nutricional. Isso se consegue inicialmente com ingestões freqüentes que evitem a sensação de estar farto (cinco ou seis refeições por dia). Aconselha-se ainda o apoio psicológico de um profissional com o propósito de modificar as idéias irracionais e distorcidas que a pessoa tem com respeito à comida e à sua figura corporal, e identificar as circunstâncias desencadeantes. Em geral este tratamento é realizado em conjunto com uma psicoterapia familiar dirigida à modificação dos hábitos que geraram e vêm sustentando esses transtornos.

 

ASMA

Definição:

A asma é definida como uma doença inflamatória das vias aéreas que é caracterizada por uma resposta exagerada (Hiperreatividade Brônquica) dos brônquios a diversos estímulos. Esta resposta, ao variar em intensidade e gravidade, nos permite classificar a asma como reversível ou irreversível, em relação ao grau de obstrução das vias respiratórias. A asma integra um grupo de doenças classificadas como DPOC (Doenças Pulmonares Obstrutivas Crônicas) junta a outras como o enfisema pulmonar e a bronquite crônica

Incidência:

A incidência da asma é bastante variável, e é menos comum nos adultos do que nas crianças. Neste último segmento populacional sua apresentação é mais frequente nos homens. Dentro do grupo etário de adultos jovens a incidência é maior no sexo feminino e entre as pessoas de idade avançada a ocorrência se iguala entre ambos os sexos. Em adultos e idosos a doença vem aumentando em sua frequência de apresentação, tal aumento sendo associado a diversos fatores como a poluição ambiental, o hábito de fumar e os alergênios (substâncias que se encontram no meio ambiente e que induzem reações alérgicas). Por exemplo: Pólen, Tabaco, Contaminantes, etc.

 

Causas:

A asma é uma enfermidade de predisposição genética, isto é, vai se transmitindo de geração em geração, entre pessoas que tenham um histórico alérgico que se herda. Se esta patologia for de origem hereditária, certos processos acelerarão o acesso das crises no asmático. Estes são:

 

1) Alergênios (pólen, ácaros, poeira, fungos, pelos de gato, cachorro, etc.).

 

2) Asma Profissional (é a que está relacionada a diversas profissões: mineiros, trabalhadores braçais, empregados de fábricas - em geral, as pessoas que estão em contato permanente com substâncias alergênicas em razão de suas atividades profissionais).

 

3) Exercício físico (por hiperventilação e esforço).

 

4) Infecções (bacterianas como pneumonia, anginas, etc.)

5) Emoções e Personalidade (estresse)

6) Fármacos (aspirina, bloqueadores Beta, etc.)

7) Refluxo Gastresofagiano (acidez).

 

O alergênio ou agente causador ingressa por via respiratória até chegar aos brônquios onde induz uma resposta inflamatória. Esta resposta inflamatória consiste na liberação, pelo organismo, de substâncias químicas (histamina, leucotrienos, etc.) que irão deflagrar uma reação em cadeia tal como a constrição bronquial (fechamento dos brônquios), a qual sucessão será responsável pelos sintomas de dificuldade respiratória que logo terá o asmático.

 

Quadro clínico:

O quadro clínico se caracteriza por sintomas de dificuldade respiratória, sibilância (ruídos agudos produzidos pelo fechamento dos brônquios) e tosse. De acordo com a sua apresentação, a asma pode ser dividida em:

1) Intermitente

2) Leve

3) Moderada

4) Severa

Esta classificação está relacionada com o grau e a frequência das crises asmáticas.

 

Tratamento:

O tratamento atua na supressão da resposta inflamatória que é uma das causas da sintomatologia, e na dilatação bronquial (abertura dos brônquios). A asma leve, com broncodilatadores em doses baixas, pode ser controlada. Na asma moderada o ideal é começar o tratamento com corticóides por via inalatória (que bloqueiam o processo inflamatório) e, ocorrendo sintomas, agregando-se broncodilatadores. Quanto à asma grave, há de se instaurar um tratamento combinando medicamentos que incluam broncodilatadores, corticóides por via inalatória e por via oral.

 

BOTULISMO

É uma doença infecciosa produzida pela toxina do bacilo Clostridium botulinum que produz uma paralisia no nível do sistema nervoso.

Essa toxina é uma das mais poderosas toxinas bacterianas que age inibindo a libertação de mediadores químicos nas terminais nervosas.

 

Pode-se diferenciar três maneiras de apresentação: o botulismo alimentar, pela ingestão de alimentos contaminados com a toxina; o botulismo infantil, onde os microorganismos colonizam o intestino e o Botulismo das feridas, pela colonização duma ferida e a germinação posterior dos esporos do C. botulinum.

 

O Botulismo é uma doença de distribuição universal. Os primeiros casos aconteceram pela ingestão de salsichas contaminadas e outros derivados da carne. Felizmente e devido aos progressos nas técnicas de enlatado e conservação dos alimentos, tem-se observado uma diminuição importantíssima de sua incidência.

 

É importante levar em conta que os alimentos contaminados podem ter aspecto e gosto normais e, apenas em alguns casos, podem apresentar alterações nas suas características.

 

Quadro Clínico

No botulismo alimentar, as manifestações clínicas podem aparecer entre as 12 e 36 horas posteriores da ingestão de alimentos contaminados com a toxina já formada.

 

Geralmente, começa com uma paralisia dos músculos da cabeça que vai descendo simetricamente, visão borrada, dificuldade para falar e para deglutir os alimentos, que pode-se acompanhar de manifestações gerais como fraqueza muscular, enjôos e desmaios.

 

Também aparece: secura da boca e da língua que não se alivia com a ingestão de líquidos, constipação, retenção de líquidos e diminuição da pressão arterial. Caso comprometer os músculos respiratórios, pode acontecer a morte, pelo fato de mudar a mecânica respiratória.

 

O botulismo das feridas aparece como consequência da contaminação com terra das lesões traumáticas ou das feridas cirúrgicas e nos dependentes de droga endovenosos. Com respeito ao período de incubação, ele é mais prolongado (aproximadamente 10 dias) e as manifestações são semelhantes às do tipo alimentar, mas sem os sintomas digestivos.

 

O botulismo infantil se origina pela absorção da toxina liberada no intestino colonizado pelos esporos do clostridium.

 

O prognóstico varia segundo a idade da pessoa afetada, posto que nos maiores de 60 anos, o índice de mortalidade é elevado e no botulismo infantil é baixo.

 

Tratamento

Quanto antes seja diagnosticado o quadro e mais rápido se iniciem as medidas terapêuticas adequadas, menos serão as consequências e mais rápido seu restabelecimento.

 

O tratamento específico consiste no fornecimento de soro que contenha anticorpos contra a toxina del C. botulinum, que somente age sobre a toxina que circula pelo sangue e não sobre a ligada ao sistema nervoso.

 

Em alguns casos, pode-se realizar lavagens gástricas e clister para impedir a absorção das toxinas que têm ficado no aparato digestivo.

 

Para evitar a contaminação dos alimentos, devera-se realizar um controle apropriado do processo de enlatado e conservação deles. Os alimentos enlatados suspeitos devem ser rejeitados. As conservas caseiras somente poderão ser consumidas se forem fervidas previamente.

 

BRONQUITE AGUDA

Definição

Bronquite aguda é uma inflamação intensa da mucosa que reveste toda a árvore bronquial. Em geral, esta doença tende a ser auto-limitada, sendo que a cura pode ser completa com a recuperação da função pulmonar.

Na maioria dos casos a doença é de causa infecciosa, embora também resulte da inalação de substâncias tóxicas como o fumo dos ácidos fortes, amoníaco, ácido sulfídrico, bióxido de enxofre ou bromo, os irritantes ambientais como ozônio e bióxido de nitrogênio, e também o tabaco, que irritam as vias aéreas.

Crianças, idosos e fumantes são afetados com maior freqüência, sobretudo no inverno.

Entre as causas infecciosas, os vírus são os responsáveis mais freqüentes das bronquites agudas. Entre as causas bacterianas, o Mycoplasma pneumoniae, Bordetella pertusis e Chlamydia pneumoniae também causam bronquite infecciosa aguda, especialmente em pessoas jovens.

Manifestações Clínicas

A bronquite infecciosa aguda nos adultos tende a começar com catarro nas vias respiratórias superiores, com mal-estar geral, calafrios, discreto aumento da temperatura corporal (38 - 38,5 graus centígrados), dores nos músculos e na garganta.

Posteriormente, aparece uma tosse que tende a indicar o início de uma bronquite. Esta tosse é seca e não produtiva nas fases iniciais, mas em poucos dias se começa a eliminar uma expectoração viscosa em pequenas quantidades, que vai se tornando mais abundante, acompanhada de escarro no caso de existir uma infecção bacteriana agregada. Algumas pessoas manifestam uma dor ardosa no peito, que aumenta com a tosse.

Devido a obstrução das vias aéreas, uma dificuldade respiratória pode aparecer. Entre as complicações que podem surgir, a pneumonia é a mais severa.

Tratamento

Nas pessoas que não apresentam outra enfermidade de base, o tratamento da bronquite aguda busca aliviar os sintomas. Medicamentos analgésicos e antipiréticos podem ser administrados, e antitussígenos para o alívio da tosse. É preciso abandonar o hábito do fumo, e é imprescindível a ingestão de grande quantidade de líquidos durante o período febril.

Os antibióticos são indicados quando a bronquite for bacteriana.

CÂNCER

O câncer não é uma única doença mas um grupo de mais de 200 doenças distintas nas quais ocorre um crescimento anormal das células, até que essas se formem em massas de tecidos chamadas tumores. Há dois tipos de tumores: benignos, ou não cancerosos, e malignos, ou cancerosos.

Os tumores benignos têm seis características principais:

 

- Somente crescem até um determinado tamanho.
- Normalmente, não crescem muito rápido.
- Não destroem células normais.
- Não se propagam ao tecido que os cerca.
- Normalmente não produzem efeitos secundários graves.
- De modo geral, crescem de uma maneira ordenada.

 

Os tumores malignos são conhecidos por sua capacidade de invadir e destruir tecidos e órgãos, tanto os que estão próximos quanto os que estão mais afastados do tumor original. A morte acontece quando a propagação do câncer danifica os tecidos e os órgãos vitais, de tal maneira que não podem mais funcionar.

 

As células do câncer atacam tecidos nunca param de se multiplicar. O câncer tem um comportamento distinto em cada pessoa, de acordo com o seu tipo. Pode surgir em qualquer idade, embora tende a afetar pessoas de idade avançada, em geral a partir dos 55 anos. O câncer também pode se apresentar em crianças e, de fato, é a segunda causa principal de morte em crianças entre as idades de 1 e 15 anos.

 

Causas:

O câncer pode ser causado por causas externas ao corpo, ou por causas internas.

 

Os fatores externos que podem causar o câncer incluem situações nas quais a pessoa está exposta a determinados produtos químicos como o benzeno e o asbesto/amianto. Os pintores, os fabricantes de pneus, os destiladores e os fabricantes de sapatos estão frequentemente expostos ao benzeno. Os trabalhadores de minas, de isolamentos e de estaleiros, por outro lado, estão frequentemente expostos ao asbesto.

 

Outros fatores ambientais que causam câncer incluem:

 

- Exposição a agentes contaminantes ambientais, tais como os gases emitidos por automóveis.
- Exposição às radiações solares.
- Exposição a níveis altos de raios X.
- Exposição a radiações eletromagnéticas.
- Dieta com grande quantidade de gordura e pouca fibra.
- Tabagismo.
- Abuso das bebidas alcoólicas ou de determinadas drogas.

 

Os fatores internos que podem causar o câncer incluem a obesidade, as infeções causadas por vírus, como a hepatite B crônica, e um histórico familiar no qual o câncer figura.

 

As possibilidades de sobrevivência ao câncer dependem do lugar em que o câncer se encontra no corpo e dos tipos de tratamento utilizados. Há cinco formas principais de tratar o câncer:

 

- Cirurgia.
- Radioterapia.
- Quimioterapia.
- Terapia hormonal.
- Terapia biológica.

 

Para o tratamento do câncer, o médico pode utilizar apenas um método ou uma combinação de vários.

 

CÂNCER DE MAMA

O câncer de mama é o câncer mais comum entre as mulheres de raça branca.

Este câncer representa atualmente 10% do total dos cânceres. Calcula-se que nos próximos 10 anos serão diagnosticados aproximadamente 8.000.000 de casos novos que provocarão a morte de 3.000.000 de mulheres em todo o planeta.

 

Apesar das estatísticas desencorajadoras, não há necessidade de recear o câncer de mama. Igual a outros tipos de cânceres, o elemento decisivo consiste na detecção precoce do tumor, o que permite uma porcentagem maior de cura e salva a vida de milhões de mulheres no mundo inteiro.

 

Fatores de risco:

Os fatores de risco permitem identificar as mulheres que têm a maior probabilidade de desenvolver o câncer. Mesmo assim, não se trata de cálculo matemático: uma mulher com fatores de risco de câncer de mama pode não manifestar o mesmo ao longo de toda a sua vida, e vice-versa. Os fatores de risco para esta doença são, entre outros:

 

- Fertilidade diminuída.
- Não ter amamentado.
- Antecedentes hereditários.
- Antecedentes de doenças da mama.
- Ausência de filhos ou idade avançada no primeiro parto.

 

Ponto de vista clínico:

O câncer de mama, do ponto de vista clínico, pode se apresentar de várias maneiras.

 

Entre as diversas manifestações que pode haver é a apresentação de um tumor que toma a forma de um nódulo duro e indolor, pode ser sentido ao tocar a mama ou se ver no espelho.

 

Pode também manifestar-se como uma retração do mamilo, ou mediante vazamento de sangue pelo mesmo - pouco frequente - mas que exige que a mulher procure um médico imediatamente. Às vezes não há manifestação de sintoma algum e o diagnóstico é feito mediante um estudo complementar (mamografia).

 

Dor nas mamas é sempre algo preocupante para quem a sofre, mas a verdade é que, na maioria das vezes, a dor não está relacionada ao câncer de mama e sim a doenças benignas.

 

Exames complementares:

Estes são procedimentos auxiliares ao diagnóstico (estudos por imagens, análises de laboratório, etc.) que podem ajudar o médico a diagnosticar uma patologia.

 

É imprescindível a participação da mulher no diagnóstico do câncer de mama visto ser ela própria a primeira linha de defesa. Como? Através do auto-exame mamário, com o toque nos seios, observando se há nódulos duros, retrações ou secreções.

 

É de suma importância estar corretamente instruída para fazer o auto-exame, uma vez que, encontrando algum sintoma em potencial, pode-se ganhar um tempo muito importante.

 

A frequência do auto-exame deve ser mensal, à conclusão de cada ciclo menstrual.

 

O segundo passo é a consulta médica e, daí, já entram em jogo diferentes métodos que vão dos menos invasivos aos mais invasivos, e dos de menor custo aos de maior custo, a saber: Mamografia, Ultra-sonografia, Ressonância Magnética, Termografia (muito discutida), Citologia, Punção Histológica e Biopsia Cirúrgica (Cirurgia).

 

De todas elas, a mamografia é o passo a seguir no diagnóstico do câncer de mama. É o método menos invasivo e de menor custo, tendo um papel importantíssimo na detecção desta doença. Trata-se do método de pesquisa por excelência no câncer mamário.

 

Este método possui uma alta capacidade de detecção de nódulos, opacidades difusas, calcificações, micro-calcificações (calcificações menores de 1mm.) e imagens da perda da arquitetura da mama que levam a suspeitar o câncer.

 

Sua verdadeira importância fica na detecção de pequenos cânceres (sempre menores que 1cm.) e lesões pré-cancerosas que, com o tempo, levarão ao câncer.

 

CÂNCER DE PRÓSTATA

Introdução

O câncer de próstata é, nos homens, o segundo câncer em termos de freqüência de aparecimento, seguindo logo após o câncer de pulmão. É o de maior incidência de apresentação entre os 60 e 70 anos de idade.

A próstata, como a maioria das glândulas do organismo, está submetida à influência dos hormônios. Na próstata os androgênios (hormônios masculinos) e os estrogênios (hormônios femininos) exercem sua influência, e é a influência hormonal desequilibrada que produz o câncer.

 

Sintomas

Nas fases iniciais este câncer geralmente não produz sintomas. Porém, ao crescer e invadir órgãos vizinhos, como por exemplo a bexiga, pode provocar disúria (dor ou ardor ao urinar), aumento da freqüência miccional, gotejamento pós-micção, dor na barriga e dores ósseas (o câncer da próstata tem predileção por invadir os ossos) e anemia.

 

Há de ser mencionado que, visto que a doença apresenta escassos sintomas nas fases iniciais, quando as pessoas finalmente procuram consulta médica, 45% já estão em etapas avançadas da doença. Assim, considerando que a administração do tratamento na fase inicial deste câncer gera resultados, é de suma importância que o diagnóstico seja realizado antecipadamente.

 

Diagnóstico

O diagnóstico precoce no câncer de próstata é fundamental, e para isso há diversos métodos. O primeiro é que o homem, ao chegar aos 50 anos, procure um especialista para que sejam realizados diferentes exames, tais como o exame retal, exames de laboratório (medição de antígeno prostático específico) e radiografia do tórax, dos ossos largos e da coluna.

 

Mediante o exame retal o médico pode avaliar, embora de maneira subjetiva, o tamanho da próstata, sendo que a doença será suspeitada se verificar a presença de nódulos com a apalpação. Os exames de laboratório destinam-se a confirmar a suspeita do médico ou a descartá-la. O antígeno prostático específico é um estudo que surgiu nos últimos anos, sendo de baixo custo e, se der positivo, indica a presença de tumor. A radiografia do tórax é realizada com o objetivo de verificar os campos pulmonares onde a metástase costuma ocorrer com mais freqüência. A radiografia dos ossos e da coluna é realizada com a intenção de verificar o estado dos mesmos, uma vez que este câncer ocorre particularmente no tecido ósseo. Se a dúvida persistir, a biopsia com certeza definirá o diagnóstico. Para estados mais avançados da doença há outros métodos como: cintigrafia óssea, TAC (tomografia computadorizada) e ECO (ecografia).

 

Tratamento

Para tratar o câncer de próstata pode-se combinar diferentes métodos:

 

- Cirurgia (extirpação do câncer)
- Radioterapia (uso de radiação para eliminação do câncer)
- Terapia hormonal (uso de hormônio para deter o desenvolvimento do câncer)
- Quimioterapia (uso de drogas para impedir o desenvolvimento do câncer)
- Terapia biológica (usando o sistema imunológico para deter o câncer).

 

CATARATA

O cristalino é uma estrutura ocular na forma de uma lente transparente, que aumenta ou diminui seu diâmetro com o fim de enfocar a imagem do objeto externo na retina. Quando o cristalino sofre alterações em sua transparência, acaba produzindo o que é conhecido como "catarata", dificultando a visão normal.

Classificação

 

Podemos classificar as cataratas de acordo com a sua origem, conforme o seguinte:

a) Catarata congênita: A catarata congênita é uma opacidade do cristalino que se detecta durante o primeiro ano de vida da criança. É uma das anomalias do olho mais freqüentes e, por isso, se trata de uma importante causa de cegueira se o diagnóstico não for feito cedo. A maioria destas não progride.

b) Cataratas adquiridas: Dentro deste tipo podemos destacar as "cataratas senis". Mais do que 25% das pessoas entre os 65 e 75 anos de idade apresentam opacidade do cristalino, geralmente bilateral. Entre as causas conhecidas, além do fator da idade devem ser agregadas a diabete e a hipertensão arterial.

As "cataratas senis" têm estados evolutivos que ocasionam alterações visuais progressivas, culminando na cegueira se não forem tratadas. Existem outros tipos de cataratas, como as produzidas por traumatismos no globo ocular, cuja opacidade aparece num período de algumas semanas. Também se incluem as cataratas associadas a doenças metabólicas, como a diabete, e ao uso prolongado de corticóides

 

Tratamento

 

A cirurgia é indicada quando a pessoa não pode mais realizar suas atividades habituais. O procedimento consiste em extrair parcial ou totalmente o cristalino.

 

A correção da visão após a cirurgia pode ser realizada com:

- Óculos: não se consegue a boa visão pela magnificação das imagens, a redução do campo visual e das imagens fantasmas ao redor do campo visual.

- Lentes de contato: a visão melhora notavelmente, mas os idosos encontram certas dificuldades na sua utilização. A possibilidade de inserir, durante o mesmo ato cirúrgico, uma lente intra-ocular no lugar ocupado pelo cristalino, tem melhorado notavelmente os resultados da cirurgia, obtendo-se uma visão similar à do olho normal.

 

CISTITE

A cistite é a inflamação da bexiga, e representa o protótipo da infecção urinária. Em geral, os micróbios alcançam a bexiga através da uretra (conduto pelo qual se elimina a urina do organismo). Em condições normais, na urina e nas vias urinárias não se encontram micróbios capazes de produzir infecção.

A condição é observada com maior freqüência nas mulheres em decorrência de alguns fatores que favorecem a infecção nas mesmas. Entre eles, o mais significativo é a uretra mais curta, a qual permite a passagem de microorganismos até a bexiga, especialmente durante o coito. Nos homens, por outro lado, a uretra é mais comprida o que, junto com diversas substâncias produzidas na próstata, evitam a subida dos microorganismos.

 

O agente mais freqüentemente envolvido é a Escherichia coli (80%), mas a infecção também pode ser produzida pelo Proteus e pela Klebsiella.

 

Quadro Clínico

Embora que, em muitos casos, a infecção possa se desenvolver sem manifestações clínicas, em algumas pessoas tende a produzir dificuldade para urinar, aumento na sua freqüência, sensação de urgência miccional e dor na região do púbis durante as mesmas.

 

Menos freqüentemente, em alguns casos se manifestam incontinência e desejo contínuo de urinar. A febre e outras manifestações gerais são raras. Às vezes, a urina pode adotar um aspecto túrbido ou um mau cheiro.

 

Durante a gravidez, estas manifestações urinárias podem aparecer com maior freqüência, e se deve prestar atenção especial às possíveis complicações que possam surgir.

 

Tratamento

O tratamento de um episódio isolado de cistite sem fatores de risco nem complicações pode ser feito sem a necessidade de identificação do micróbio.

Para a erradicação dos microorganismos pode se utilizar uma quinolona, como a ciprofloxacina ou uma cefalosporina de segunda ou terceira geração, por via oral, durante aproximadamente 5 dias. Quando houver melhoria do quadro, pode se observar uma diminuição dos sintomas em aproximadamente três dias após o início do tratamento.

 

Caso a pessoa tenha cumprido estritamente com o tratamento e os sintomas não tiverem reduzido, será necessário identificar o microorganismo para permitir um tratamento específico.

 

COLESTEROL

O colesterol é uma substância que participa na fabricação de hormônios e proteínas. Um resultado de exame de laboratório com um índice elevado não é algo prejudicial em si, mas por suas consequências, sendo que o aumento no número de proteínas que transportam gorduras (lipoproteínas) constitui-se em um fator de risco para doenças vasculares.

Causas:

A maioria das pessoas crêem que apenas o fato de se ter uma dieta rica em gorduras representa predisposição para o aumento do seu colesterol . Em parte, isso é verdade, mas não se deve esquecer que há também um fator hereditário que o predispõe. Ter o colesterol elevado não é sempre associado com o fato de ter uma doença vascular, há outras causas que, somadas a esta, fazem com que o risco se potencialize, como o tabagismo, a hipertensão, a diabete, o sedentarismo e o álcool que em alta ingestão é tóxico para o coração. Outro item a considerar é a idade: o homem é mais propenso a sofrer risco vascular após os 55 anos. Na mulher isso acontece após os 45 anos. Também é importante destacar que os antecedentes familiares têm um papel muito importante no aparecimento das doenças vasculares.

 

Prevencao:

O aumento de colesterol no sangue (hipercolesterolemia), pode ser prevenido modificando a qualidade da vida, isto é, realizando exercícios físicos, diminuindo a ingestão de alimentos ricos em gorduras, como carnes vermelhas e derivados da panificação. É necessário se lembrar que o organismo não depende do fornecimento externo de colesterol uma vez que todos nossos tecidos têm a capacidade de sintetizá-lo. Outro item a se observar é que se ao nível de colesterol elevado agregarem-se certos hábitos como o tabagismo, o consumo de álcool em demasia, a falta de atividade física, o estresse, as comidas ricas em sal e a diabete, que afeta toda a micro-vasculatura do organismo, a incidência da doença vascular aumentará consideravelmente. É importante notar que durante a idade adulta complicações vasculares são mais frequentes nos homens do que nas mulheres, uma vez que as mulheres são beneficiadas pelos estrogênios que diminuem as VLDL e as LDL (Lipoproteínas de muito baixa densidade e lipoproteínas de baixa densidade) que são as mais nocivas, já que possuem a maior capacidade para obstruir os vasos sanguíneos. Mas após a menopausa, ao diminuir os estrogênios, o risco vascular aumenta notávelmente, tanto que a incidência se iguala entre os homens e as mulheres, e é até mais alta nas mulheres na terceira idade.

 

Isso pode ser prevenido? Sim, com a administração de estrogênios durante a menopausa, um processo conhecido como hormonoterapia de reposição.

 

Tratamento:

É desejável ter o colesterol no sangue abaixo de 200mg/dl.

 

O tratamento segue dois processos:

 

- Dieta livre de alimentos com gordura e colesterol;
- Tratamento médico.

 

A primeira coisa que se tem de saber é quanto colesterol a pessoa tem no sangue, pois o tratamento difere conforme o nível de colesterol. Se, ao efetuar as análises clínicas, o nível de colesterol no sangue for menor do que 200mg/dl, a condição poderá ser controlada através de dieta e análises do sangue a cada cinco anos. Caso, porém, o nível no sangue oscilar entre 200mg/dl e 239mg/dl, será necessário realizar uma revisão anual e seguir rigorosamente uma dieta prescrita pelo médico. Quando o nível de colesterol no sangue ultrapassar 240mg/dl serão necessários tratamento médico e dieta.

 

DENGUE

Definição:

A dengue é uma doença infecciosa, cujo agente causador é um vírus que pertence ao gênero flavovirus (vírus filtrável). Afeta sobretudo pessoas não vacinadas, viajantes a regiões tropicais, e crianças.

 

O ciclo de transmissão da dengue inclui o homem infectado, o vírus, o mosquito Aedes aegypti, e o homem. A dengue se dissemina sobretudo nas regiões de clima tropical e subtropical, ocorrendo também grande freqüência na América do Sul.

 

Transmissão:

 

A transmissão do vírus às pessoas susceptíveis se realiza por meio da picada de mosquitos infectados. Não existe a transmissão por contato direto com pacientes ou suas secreções.

 

A. Aegypti é um mosquito de hábitos domésticos, sumamente urbanizado, cujo habitat está intimamente relacionado às condições domiciliares. Deposita seus ovos, de preferência, em depósitos de água potável, água para banhos, água de chuva ou qualquer outra acumulação de água: em pneus velhos, latas, garrafas, etc. Pica principalmente durante o dia.

 

Os mosquitos adquirem o vírus picando pessoas infectadas, e se tornam infecciosos de três a quinze dias, ficando assim - infecciosos - pelo resto de sua vida.

 

Quadro Clínico:

 

Pode-se distinguir três variedades clínicas diferentes: a dengue clássica (febre muito alta), a dengue hemorrágica, e formas intermediárias e atípicas.

 

O período de incubação tende a ser de 5 a 8 dias. O início do quadro clínico é brusco, com aumento rápido da temperatura e calafrios, cefaléia intensíssima, dor atrás dos olhos, especialmente ao movê-los; dores musculares generalizadas e na região lombar, podendo ser precedidas por uma ligeira conjuntivite. Inicialmente, pode não haver febre, mas o doente pode estar prostrado e imobilizado pela dor. A febre persiste por um ou dois dias e depois baixa, podendo, porém, subir novamente com menor intensidade uns dois dias depois.

 

Entre o terceiro e o quinto dia aparecem manchas na pele, começando no tronco e estendendo-se até o rosto, as mãos, antebraços e os pés. Em geral, é parecido ao sarampo. Em algumas epidemias registraram-se casos com complicações, como diarréias com eliminação de sangue, alterações cardíacas (miocardite), ou manifestações nervosas (meningite). Por outro lado, em outras epidemias o curso é muito leve e se cura sem seqüelas. A maioria dos pacientes se curam sem consequências. A dengue hemorrágica é uma forma grave da doença, sendo uma das principais causas de mortalidade nas zonas endêmicas. Afeta pacientes previamente infectados com o vírus da dengue que, após alguns anos, ao serem expostos pela segunda vez ao vírus, desenvolvem um quadro febril de início brusco, com cefaléia, faringite, náuseas, vômitos, dor abdominal e desidratação. Também pode ocorrer a diminuição da pressão arterial, hemorragias digestivas, com eliminação de sangue nas fezes e pela boca, hemorragias cutâneas (hematomas), e epistaxe (hemorragia nasal).

 

Tratamento:

 

A prevenção da doença consiste na erradicação dos mosquitos transmissores da doença, diminuindo e eliminando as fontes de águas estagnadas, como pneus, garrafas, poços e outros recipientes ao ar livre. Estes constituem seus lugares de reprodução.

 

Vacinas contra os diferentes tipos de dengue estão sendo desenvolvidas com vírus vivos atenuados. O tratamento consiste em aliviar os sintomas, basicamente na reposição de líquidos para normalizar a pressão arterial, e na correção das complicações hemorrágicas. Não se dispõe de um tratamento antiviral específico.

 

DEPRESSÃO

Síndrome depressivo" é a tristeza profunda que afeta a totalidade da vida psíquica e física e as relações da pessoa doente, sendo acompanhada em maior ou menor grau por sintomas de inibição, ou angústia, e por diferentes manifestações físicas. Na prática, aproximadamente 40% dos que consultam um serviço de Saúde Mental de um Hospital Geral de forma ambulatória, apresentam um transtorno depressivo, sendo a população feminina a mais afetada.

A depressão é o fator mais importante de risco no suicida: 70% dos suicidas apresentam sintomas depressivos, mas a intensidade dos sintomas não constitui, em si, um fator adicional de risco.

 

Causas:

A depressão é um dos típicos transtornos nos quais há uma "personalidade com predisposição", sendo destacada a tendência obsessiva pela ordem. São pessoas sóbrias, razoáveis, formais e com sentido do dever, escrupulosos moralmente, com tendência a culpar-se, etc.

 

O aparecimento de um quadro depressivo pode ser desencadeado pela perda de um objeto (uma pessoa ou uma abstração) que, por seu valor simbólico, leva a uma diminuição da auto-estima. Essa perda produz frustração que provoca hostilidade que, em lugar de dirigir-se ao objeto frustrador, se torna contra o próprio paciente, como consequência da identificação que se formou entre o objeto e a pessoa. Este nojo contra si mesmo se apresenta na forma de sentimentos de culpa.

 

Quadro Clínico:

Do ponto de vista clínico podemos dividir os transtornos depressivos em:

1 - Primárias O quadro depressivo não depende de outra doença, seja mental ou física. Este se divide por sua vez em:

a. Depressões endógenas: A tristeza profunda constitui o sintoma principal. Surgem sentimentos de fracasso e pessimismo, com diminuição da auto-estima. A agressividade voltada a si mesmo leva ao aparecimento de penosos sentimentos de auto-repreensão e de culpa. O doente vê diminuído seu interesse por aquelas coisas que, até aquele momento, constituíam seu mundo, podendo levar a um estado de absoluta indiferença e desinteresse por tudo. A pessoa tende ao isolamento, recusa o contato com familiares e amigos, se torna calado e isolado. Entre os distintos sintomas físicos podem aparecer: diminuição do apetite e de peso, transtornos do sono, cansaço, cefaléias, secura bocal, constipação, palpitações, enjÿos e alterações do ciclo menstrual. Dificuldade para dormir, sonho interrompido e, sobretudo, o despertar precoce na madrugada com impossibilidade de voltar a dormir, são as alterações mais frequentes.

 

b. Depressão psíquica: Sob esta denominação se inclui um grupo de transtornos com características particulares. Se apresentam como um estado de ânimo deprimido quase contínuo, durante períodos prolongados, sendo mais comum no sexo feminino. Diferente da endógena, o início de cada episódio é lento e frequentemente impreciso, manifestando-se pelos seguintes sintomas: insônia, pensamentos pessimistas e auto-denegridores, perda progressiva da energia ao longo do dia, com cansaço e tendência a permanecer deitado, diminuição da auto-estima, mas sem um marcado sentimento de culpa. Às vezes, o quadro depressivo aparece como reação a um fator estressante, surgindo pouco tempo depois de iniciado o agente causador.

 

2 - Depressões secundárias

Surgem como uma manifestação de outro transtorno ou doença, entre as quais podemos destacar: hipotiroidismo, déficit vitamínico, diabete, doença de Parkinson, AIDS, enfarte de miocárdio, abuso de substâncias (álcool, soníferos, tranqÿilizantes), câncer, etc. Manifesta-se com a tristeza acompanhada de cansaço, diminuição da atividade por falta de forças, tendência ao choro, à angustia e ao desespero, insÿnia e falta de apetite.

 

Tratamento:

O tratamento das depressões, qualquer que seja o agente desencadeante, deve ser baseado numa conduta terapêutica integral que combine três aspectos:

 

- Biológico: compreende a utilização de medicamentos, como os antidepressivos tricíclicos, inibidores da MAO, ou os chamados de "nova geração" (fluoxamina, trazadona, etc.). A melhoria tende a ser evidente no curso da quarta ou quinta semana.

- Psicológico: a redução dos sintomas, a compreensão e resolução dos conflitos psíquicos, assim como a modificação da conduta, são alguns dos possíveis benefícios que o tratamento psicoterápico pode oferecer.

- Social: o apoio familiar e comunitário são muito importantes no benefício máximo que se pode obter com o tratamento.

 

DIABETES

A Diabetes Mellitus é uma doença muito comum no mundo inteiro. Às vezes produz sintomas desde seu início, outras vezes não apresenta nenhum, passando totalmente despercebida. Por isso, um grande número de pessoas portadoras de diabete não o sabem, e somente ficarão sabendo quando surgir alguma complicação, como, por exemplo, um enfarte de miocárdio. O diagnóstico precoce da diabete permite estabelecer o tratamento adequado e evitar possíveis complicações.

A diabete é uma doença que impede o aproveitamento correto dos alimentos ingeridos, especialmente dos açúcares, devido a uma carência total ou parcial de um hormônio chamado insulina. Uma pessoa normal ingere, com a sua alimentação, açúcares, proteínas e gorduras. O alimento é digerido no estômago e absorvido no intestino delgado. Depois, chega ao fígado, onde uma parte se transforma em glicose, que entra na corrente sanguínea e faz com que o pâncreas produza insulina. A insulina permite que a glicose entre nas células e produza calor e energia. De certo modo, a insulina abre a porta da célula para que a glicose possa entrar. Quando uma pessoa diabética se alimenta, o pâncreas não produz a insulina necessária para que esta glicose entre nas células, provocando uma acumulação ou aumento de açúcar no sangue (glicemia elevada). Então o organismo consome gorduras e proteínas para obter energia.

 

Existem dos tipos de diabete conhecidos:

 

a) Diabete Tipo 1 (Insulinodependente)

A diabete tipo 1 ou "insulinodependente" é aquela que requer a administração diária de insulina para seu controle adequado.

 

Esta forma clínica de diabete se apresenta com maior frequência em crianças e adultos jovens, e se produz porque as células do pâncreas (células insulinoprodutoras), que normalmente fabricam a insulina, não fazem seu trabalho ou produzem quantidades insuficientes do hormÿnio. Em pessoas com predisposição para desenvolver este tipo de diabete, infeções virais ou o próprio sistema imunológico do organismo (sistema de defesa contra a infeção) podem atacar as células insulinoprodutoras do pâncreas e alterar a secreção da insulina.

 

Geralmente, os sintomas aparecem de forma inesperada. Os mais comuns são: cansaço ou debilidade, apetite exagerado (polifagia), sede intensa (polidipsia), micção frequente (poliúria), visão distorcida ou mudanças na visão. Todos esses sintomas são secundários ao aumento de glicose no sangue (hiperglicemia).

 

A perda súbita de peso indica níveis baixos de insulina, e sua presença junto aos outros sintomas deve alertar sobre a necessidade de iniciar o tratamento. O tratamento consiste na associação de um plano de alimentação adequado, exercício físico e aplicação de insulina, cuja dose e frequência de injeções serão determinadas pelo médico em cada caso particular.

 

b) Diabete tipo 2 (não insulinodependente)

A diabete tipo 2 ou "não insulinodependente" afeta habitualmente adultos obesos com mais de 40 anos. Esta é a forma clínica mais comum (90% do total de diabéticos).

 

No tipo 2, as células insulinoprodutoras do pâncreas produzem insulina, mas o organismo não pode utilizá-la adequadamente. Há insulina, mas as células parecem não reconhecê-la, e a glicose não pode entrar nos tecidos. Esta incapacidade de usar o hormÿnio de maneira eficaz se chama "insulino-resistência". Nestes casos, o pâncreas é obrigado a fabricar cada vez mais insulina, sem alcançar o efeito normal, o que aumenta o nível de açúcar no sangue (hiperglicemia).

 

A diabete não insulinodependente é uma doença hereditária. Herda-se a predisposição para desenvolvê-la, e diversos fatores a desencadeiam, tais como:

 

- infecções
- intervenções cirúrgicas
- gravidez
- menopausa
- emoções.

 

A obesidade deve ser destacada como um fator que precipita a diabete, por produzir insulino-resistência. Uma pessoa que tenha parentes diabéticos possui predisposição, portanto deve evitar o excesso de peso.

 

O início da doença é lento, apresenta os mesmos sintomas que a diabete tipo 1, mas geralmente mais leves. Isto explica por que, tanto para o paciente quanto para o médico, o diagnóstico é mais difícil.

 

A maioria dos diabéticos não insulinodependentes podem alcançar um bom controle metabólico com um plano de alimentação (alcançando o peso ideal) e exercícios físicos. Em alguns casos é necessário agregar ao tratamento medicamentos orais (hipoglicemiantes orais). A aplicação de insulina se reserva para situações especiais, como perda de peso, gravidez, intervenções cirúrgicas, infecções ou outras doenças que possam interferir no controle da glicemia.

 

Diabete Gestacional:

É a diabete que se desenvolve durante a gravidez e desaparece com o parto. Seu diagnóstico e tratamento são importantes para se ter uma gravidez normal.

 

Deve-se considerar que 50% das mulheres que apresentam diabete gestacional terão diabete no futuro.

 

As complicações crÿnicas da Diabetes Mellitus não são exclusivas de nenhum tipo da doença em especial.

 

A alteração em órgãos como os olhos, rins, pés etc. depende do controle habitual da glicemia e não do tipo de diabete.

 

O objetivo do tratamento é alcançar um bom controle metabólico, isto é, a utilização adequada da glicose. Desta forma evita-se grande parte das complicações que a longo prazo podem alterar a qualidade de vida, tanto do diabético insulinodependente como do não insulinodependente.

 

Por que o autocontrole do sangue?

Porque se você tem diabete, a única forma de manter sua glicose dentro dos níveis normais é fazendo suas próprias análises. Assim, de acordo com os resultados, você poderá adotar ações imediatas baseadas nas recomendações de seu médico.

 

Quais são as vantagens do autocontrole da glicose no sangue?

 

É mais preciso do que o teste de urina. O nível exato de glicose pode ser determinado a qualquer momento. Níveis altos ou baixos de glicose podem ser identificados rapidamente. Um teste de glicose no sangue não depende de que o rim elimine na urina o excesso de glicose existente no sangue. Os testes de glicose no sangue lhe ensinarão mais sobre a diabete e como controlá-la. Se você mantiver os níveis de glicose no sangue dentro dos níveis normais, pode evitar problemas sérios nos olhos, nos rins, nos pés e nas pernas. Um teste de glicose no sangue não necessita tanta privacidade quanto um teste de urina.

 

O que acontece com o teste de urina?

O objetivo do tratamento e do programa de controle é manter a glicose dentro dos níveis normais ou perto deles. Antes, os diabéticos somente podiam controlar sua glicose com testes de urina, mas esse teste não indica o nível exato de glicose no sangue. Agora, pode-se fazer uma medição direta da glicose no sangue em casa, em vez de no hospital ou no laboratório. Porém, seu médico ainda pode precisar que se realize algum teste de urina, sobretudo para controlar as cetonas, quando a glicemia é superior a 200mg.

 

O que preciso fazer para começar com o programa de autocontrole?

Precisa assumir um compromisso pessoal, porque você estará fazendo algo todos os dias para cuidar da sua saúde. Fale com o seu médico e diga-lhe que quer saber tudo sobre a diabete e o autocontrole do sangue. Somente você e seu médico podem determinar quantas vezes por dia vai precisar realizar o autocontrole do sangue. Você vai precisar fazer o controle em diversos momentos do dia, uma vez que seu objetivo é manter o nível de glicose dentro nos valores normais durante 24 horas. Terá que levar um registro de todos os resultados a cada consulta médica. Ele poderá revisar as informações e, com base nelas, ajustar o tratamento e o programa de autocontrole.

 

Como medir o conteúdo de açúcar no sangue?

O primeiro passo para determinar o conteúdo de açúcar no seu sangue é obter uma gota de sangue. A maioria das pessoas faz isso picando um dedo com um dispositivo de lanceta. Há dois métodos diferentes que você pode usar para medir a quantidade de açúcar que há numa gota de sangue. Estes métodos são:

a) A prova visual

b) A prova com medidor

Estes métodos são descritos a seguir. Há muitas coisas a serem consideradas ao selecionar o método ou o instrumento mais adequado para você. Seu médico pode ajudá-lo, já que conhece seu caso e os muitos sistemas de prova que existem.

 

a) Prova Visual. A prova visual se realiza com pequenas fitas plásticas. Estas fitas têm uma pequena bolha em uma das extremidades. As substâncias químicas na bolha mudam de cor ao entrar em contato com o açúcar. Os resultados nas fitas de prova visual são precisas se você pode notar pequenas diferenças entre vários tons de cor. Para fazer a prova do sangue com uma fita visual, aplique uma gota de sangue na bolha da fita e siga as instruções da caixa. Espere o tempo indicado nas instruções. Se o tempo indicado não for observado, o resultado da prova será incorreto. Em seguida, compare as cores da bolha com as cores na caixa de fitas. A tabela de cores indicará os limites do nível de açúcar no sangue nesse momento. Por exemplo, a tabela pode indicar que o nível de açúcar no sangue está entre 80 e 120mg/dl ou entre 180 e 240mg/dl.

 

b) Provas com o medidor. As provas com o medidor proporcionam uma maneira mais exata de determinar o nível de açúcar no sangue. Os medidores usam fitas muito parecidas às utilizadas nas provas visuais, mas a mudança de cor da fita de prova pode ser observada com maior exatidão. Cada um tem seu próprio método de uso. O método correto de cada medidor deve ser usado para que qualquer medidor dê resultados precisos do nível de açúcar no sangue. Por exemplo, cada máquina usa apenas um tipo de fita ou de cartucho. Alguns medidores requerem que você controle o tempo de duração da prova e que limpe ou seque a fita, enquanto outros não. E existem outras diferenças. As respostas às seguintes perguntas podem ajudá-lo a selecionar um medidor que satisfaça suas necessidades.

 

É fácil de usar?

 

Peça a alguém para lhe mostrar como funciona. Prove-o você mesmo se for possível. Os botões são fáceis de usar? Você entende as etapas? As reposições são facilmente obtidas? O tamanho do medidor é adequado para você? Pode ver os números na tela com facilidade? O medidor tem "memória" para se manter atualizado nas leituras do açúcar no sangue? O medidor tem sinal sonoro que indique as etapas a seguir?

 

Como manter o registro:

Você terá mais vantagens das provas de sangue se mantiver um bom registro dos resultados. Estes registros ajudarão você e seu médico a descobrir problemas no plano de cuidados de sua diabete. Seus planos de alimentação, atividade e medicamentos podem ser adaptados, caso seja necessário, para corrigir problemas com o controle do açúcar no sangue. Use o diário de autocontrole da diabete ou qualquer caderno pequeno para registrar os níveis de açúcar no sangue. Não se esqueça de levá-lo a todas as consultas que tiver com o seu médico. Os resultados têm maior utilidade quando se registra:

 

- A data
- A hora de cada prova
- O resultado de cada prova
- A hora em que você se injetou com a insulina ou tomou a pastilha para a diabete
- Os tipos e as doses de insulina ou as pastilhas para a diabete
- Os resultados das provas cetonas

Qualquer coisa especial ou diferente que possa ter afetado o açúcar do sangue (atividade física adicional, não ter almoçado etc.) Horários para as provas de açúcar no sangue.

Com quanta frequência deve-se verificar o açúcar no sangue?

A resposta a esta pergunta depende de suas próprias necessidades. Muitas pessoas necessitam verificar o açúcar do sangue de 4 a 6 vezes por dia. Isso é recomendado para os que se aplicam duas ou mais injeções de insulina por dia, os que utilizam bombas de insulina, as diabéticas grávidas, qualquer diabético que sofra de outra doença e as pessoas que tenham problemas com níveis inesperados ou baixas pronunciadas de açúcar no sangue. Pode ser que outras necessitem verificar seu nível de açúcar no sangue com menos freqÿência. Seu médico pode ajudá-lo a organizar um horário de provas que se adapte à sua diabete e a seu estilo de vida.

 

O açúcar do sangue se mede usualmente antes do café da manhã, antes do almoço, antes do jantar e antes de dormir. Esta última prova se faz antes de comer algo, se for o caso. Para ver se existe uma boa correspondência entre sua dieta e sua medicação, faça uma prova ocasional do sangue duas horas depois de comer.

 

Meça o açúcar mais vezes do que o usual, pelo menos quatro vezes por dia, quando estiver doente ou sujeito a uma tensão fora do comum, ou quando sua rotina diária mudar. Fale com seu médico sobre a freqüência com que planeja fazer a prova de seu nível de açúcar no sangue. Converse sobre que tipo de horário é prático para você.

 

Dez conselhos úteis:
1. Conheça os níveis de glicose do seu sangue. Verifique-os com regularidade.
2. Descubra qual o seu peso ideal e mantenha-o.
3. Siga uma dieta com pouco açúcar.
4. Aplique sua insulina ou tome seus medicamentos, na forma que o seu médico aconselhou.
5. Não se esqueça de visitar seu médico periodicamente (a cada dois a quatro meses).
6. Siga os conselhos de seu médico sobre dieta, exercícios, medicamentos e controle.
7. Leve sempre com você o cartão que o identifica como diabético; ele será muito útil em caso de queda brusca do nível de açúcar no seu sangue.
8. Se usa insulina, tenha sempre à mão uma dose, açúcar, fruta ou glicose para o caso de hipoglicemia.
9. Não se esqueça de seus controles. Isso melhorará sua qualidade de vida.
10. 6% da população é diabética, e metade não sabe disso. Ajude a detectá-los.

 

DIARRÉIA

A diarréia é um transtorno digestivo que se manifesta pela evacuação mais freqüente do que o normal, de maior volume e conteúdo de água. As mais freqüentes são de causa infecciosa (bactérias, vírus ou parasitas), mas também surgem quadros não infecciosos, como intolerância alimentar, principalmente a hidratos de carbono e proteínas.

A síndrome diarréica constitui um problema sério de saúde em muitos países, e particularmente em crianças pequenas, dentre as quais existe uma mortalidade elevada, sendo a desidratação e a desnutrição as suas causas principais.

 

Quadro Clínico

A síndrome diarréica é uma situação patológica que afeta, especialmente, crianças menores de um ano e, em particular, menores de seis meses.

 

Pode se manifestar de forma abrupta ou gradual num lapso de 48 horas. Em geral, quando o começo é brusco, há uma etapa acelerada de decaimento, perda do apetite, irritabilidade e febre de grau variável. Depois, há náuseas e vômitos que, às vezes, são muito freqüentes. Finalmente, o aspecto das fezes é alterado, mostrando diarréias líquidas explosivas ou não, podendo ter também mucosidades visíveis. No exame físico o paciente pode se encontrar pálido, algo fatigado, decaído e com aumento dos ruídos intestinais; embora algumas pessoas possam apresentar um aspecto saudável.

 

Uma complicação freqüente é a desidratação, sobretudo em crianças pequenas, devido ao fato de terem um maior conteúdo de água corporal. A maioria dos casos se resolve em uma semana.

 

Tratamento

O tratamento está dirigido à manutenção do estado de hidratação e a prevenir a desidratação durante o quadro diarréico.

 

É recomendável estabelecer uma dieta líquida, utilizando "sais de reidratação oral" (SRO). Estas devem ser diluídas em um litro de água fervida, agitada até que se torne uma solução homogênea, e administrada através de pequenas colheradas ou mamadeira.

 

Quanto à alimentação, para as crianças amamentadas não é necessário suspender-lhes a amamentação. De fato, acredita-se que o leite materno realiza satisfatoriamente as funções de nutrir e manter a hidratação. As crianças maiores que já estavam recebendo alimentação não láctea devem comer alimentos semi-sólidos de maneira fracionada. Enquanto persistirem as evacuações líquidas, é recomendável oferecer líquidos (SRO) em todos os casos, fracionados, durante as 24 horas do dia.

 

EJACULAÇÃO PRECOCE

Até poucos anos atrás, a ejaculação precoce não estava incluída na lista das chamadas disfunções sexuais, o que só veio a ocorrer nos anos 70. Até então, muitos homens não se preocupavam com seu controle ejaculatório, e sua parceira não pensava em mencionar tal preocupação. A sexualidade era vista basicamente como tendo fins reprodutivos e, para muitas mulheres, como algo que tinham que suportar. Por isso, quanto mais rápida fosse a ejaculação, menor seria o compromisso do casal, e de cada um de seus integrantes, com a sexualidade como forma de comunicação e expressão do amor.

À medida que esses conceitos foram mudando, a sexualidade passou a ser considerada um instrumento de prazer para o casal, e as mulheres começaram a reivindicar seu direito de desfrutar do sexo. Como conseqüência, a partir de meados dos anos 60, a ejaculação precoce começou a ser vista como um verdadeiro impedimento ao prazer sexual.

 

Este transtorno tem causado graves problemas, tanto para a mulher, que se vê impossibilitada de chegar a seu grau máximo de prazer, quanto para o homem, frustrado diante de sua incapacidade de controle. Infelizmente, são muitos os casais que rompem a relação por este motivo.

 

Definição

 

Desde o princípio tentou-se definir a ejaculação precoce pela perspectiva do tempo ("chegar demasiado rápido"), mas jamais se chegou a um acordo sobre qual seria o tempo "mínimo" que deve transcorrer desde a penetração até a ejaculação, sem esquecer que este tempo é influenciado por muitas variáveis.

 

Alguns autores incluíram o casal na definição, afirmando que um homem poderia ser considerado ejaculador precoce quando "não satisfazia a sua parceira em pelo menos 50% das relações". Mas esta definição não leva em consideração que, se uma mulher chega ao orgasmo imediatamente após ser penetrada, o homem nunca poderá ser considerado ejaculador precoce. Por outro lado, um homem cuja companheira tenha uma resposta sexual muito lenta será classificado como tendo uma disfunção, mesmo sendo capaz de ter coitos prolongados.

 

Atualmente, a definição considerada válida se ajusta melhor às variáveis do problema. A Associação Americana de Psiquiatria considera que um homem é ejaculador precoce quando "apresenta de forma persistente ejaculação em resposta à estimulação sexual mínima, ou antes, durante ou imediatamente após a penetração e antes que a pessoa a deseje".

 

Causas

 

Entre as causas mais importantes podemos destacar a existência de outras disfunções, como a impotência, que pode causar um quadro de preocupação excessiva em controlar a ejaculação. Também pode ocorrer uma perda do desejo sexual quando o problema ejaculatório converte a relação em uma prova a ser superada. Outra dificuldade freqüente é a diminuição da sensação orgástica como conseqüência de excessos no autocontrole.

 

O uso de terapias caseiras para tentar solucionar o problema - como distrair-se ou pensar em outra coisa durante o ato sexual - pode piorar o quadro, uma vez que nenhum destes métodos serve para controlar o reflexo ejaculatório.

 

Quando o problema se apresenta depois de um período prévio de bom funcionamento sexual, a condição é denominada ejaculação precoce secundária. Neste caso, as causas podem ser problemas urológicos - como prostatite ou uretrite - transtornos prévios na ereção ou acontecimentos importantes na vida sexual, como mudança de parceira após uma separação, ou um período de estresse importante. Estas e outras situações, dependendo do histórico pessoal, podem dar origem a um transtorno temporário com perda do controle ejaculatório.

 

Tratamento

 

De maneira geral, para um homem com dificuldades em controlar a ejaculação, não é fácil se dar conta do problema, já que o coito pressupõe um estímulo muito excitante e o abandono dessas sensações desencadeia nele uma ejaculação precoce. Por isso, foi desenvolvida uma série de exercícios que ensinam como controlar a ejaculação, incluindo vários passos nos quais não se realiza o coito. Os exercícios são os seguintes: tudo deve ser iniciado de forma habitual para o casal - estimulação do homem até o momento em que a ejaculação é quase inevitável, enquanto ele concentra sua atenção nas sensações. Neste momento interrompe-se a estimulação, e faz-se uma pausa até que a urgência ejaculatória desapareça. Então, a estimulação é reiniciada. Esta seqüência deve ser repetida três vezes, e na quarta, permite-se que o homem ejacule.

 

A estimulação consiste no estímulo manual feito pela mulher, no princípio, e depois com o uso de lubrificantes. Quando se atingir um controle adequado com este exercício, pode-se tentar o próximo, que inclui o coito, mas com a mulher por cima, sem fazer movimento algum até que o homem esteja seguro de que possa se controlar. O início inclui movimentos lentos, que podem ser acelerados até que o homem manifeste desejo de ejacular; neste momento a mulher se afasta. Depois deste exercício, já se pode tentar o coito lateral e, posteriormente, na posição com o homem por cima, que é a última por exigir um maior controle ejaculatório.

 

É importante que o homem sinta liberdade para não continuar se, num determinado momento achar que irá perder o controle.

 

Outro tipo de terapia inclui a utilização de medicamentos, como alguns antidepressivos que têm como efeito secundário retardar a ejaculação. Tal efeito secundário poderia ser utilizado para melhorar o problema, com a ingestão do antidepressivo poucas horas antes da relação.

 

FARINGITE

Definição

A faringite é uma doença inflamatória da mucosa que reveste a faringe e que se manifesta por avermelhamento e inchação da mesma.

Esta afecção freqüentemente se estende também às amígdalas, denominando-se faringoamigdalite.

 

Em geral, é uma infecção viral que começa o ataque, predispondo a colonização e infecção por bactérias.

 

Os vírus implicados com maior freqüência são os rinovírus, coronavírus, adenovírus, influenza e parainfluenza.

 

Entre as bactérias destacam-se o estreptococo beta-hemolítico, o pneumococcus, o mycoplasma pneumoniae, o staphylococcus aureus e o haemophilus influenzae.

 

A porta de entrada é a oral, pela veiculação dos agentes causadores através das gotinhas de flügge, isto é, salpicos de saliva que as pessoas eliminam ao falar, tossir ou espirrar.

 

A faringoamigdalite é uma das infecções mais comuns em crianças entre os 4 e os 15 anos de idade, sobretudo nos primeiros anos escolares.

 

Quadro Clínico

As faringites de origem viral predominam no outono e no inverno. Chamadas habitualmente de angina vermelha, começam com um quadro febril, mal-estar geral, ardor na garganta e dor ao engolir. Ao inspecionar a boca, observa-se sua parte posterior congestionada e de cor vermelha intensa.

 

Nas de origem bacteriana, o quadro começa subitamente com irritação na garganta, dor e dificuldade para engolir, febre de 38,5 a 39,5 graus centígrados, náuseas e vômitos, dores de cabeça e, em alguns casos, dor abdominal.

 

A observação da faringe mostra uma congestão acompanhada de uma secreção branco-cinzenta.

 

A febre desaparece em 3 a 5 dias, e os demais sintomas em uma semana.

 

Tratamento

Para alívio da dor e diminuição da febre, são indicados medicamentos analgésicos e antipiréticos, como a aspirina ou o paracetamol.

 

A necessidade do repouso, seja absoluto ou relativo, depende do estado geral.

 

Em caso de faringite de origem bacteriana, deve-se ministrar um tratamento à base de antibióticos para erradicar o microorganismo causador e evitar complicações. Os mais utilizados são as penicilinas, os macrolídeos e as cefalosporinas.Em caso de alergia às penicilinas pode-se utilizar a eritromicina ou a clindamicina. Esta última deve ser usada com precaução, devido aos efeitos secundários que podem aparecer.

 

O tratamento com antibióticos é muito eficaz para a prevenção da febre reumática, complicação do estreptococo beta-hemolítico do grupo A.

 

FEBRE REUMÁTICA

É uma doença inflamatória generalizada, que surge como uma complicação tardia de uma infecção das vias aéreas superiores produzida pelo estreptococo beta-hemolítico do grupo A, e que não foi tratada ou foi tratada incorretamente.

O mecanismo exato pelo qual se produzem as alterações da febre reumática é desconhecido, mas sabe-se que não é por ação direta dos microorganismos. Acredita-se que esses microorganismos desencadeiem uma reação do sistema imunológico, que seria a origem das lesões características.

 

Embora o primeiro episódio possa aparecer em qualquer idade, é entre os 5 e os 20 anos de idade que se produz com maior freqüência. Existe uma predisposição individual para esta doença, que ocorre em 3% das faringites por estreptococo em épocas epidêmicas.

 

Nos países desenvolvidos tem-se observado uma diminuição tanto em sua freqüência, quanto em sua gravidade. A febre reumática representa um importante problema de saúde pública, uma vez que é uma patologia evitável se as medidas adequadas forem tomadas.

 

Quadro clínico

Aparece como um quadro febril acompanhado da afecção de múltiplas articulações, com a característica de aparecer em uma articulação, desaparecer espontaneamente em uma semana, e reaparecer em outra articulação (poliartrite migratória). As grandes articulações - como os joelhos, tornozelos, cotovelos e punhos - são as mais afetadas.

 

O comprometimento do coração representa a alteração mais importante e a única que deixa seqüelas. As manifestações são muito variáveis, desde uma insuficiência cardíaca grave até um quadro aparente.

 

Ao nível do sistema nervoso observa-se uma manifestação característica denominada coréia de Sydenham. Geralmente isso ocorre meses depois da infecção pelo estreptococo e se caracteriza por movimentos involuntários dos músculos da face, do pescoço e dos membros, que alteram a capacidade para segurar objetos e transtornos para caminhar e falar. Esses movimentos são intensificados pelo esforço voluntário, mas desaparecem durante o sono.

 

Manchas rosadas, que não coçam, aparecem no tronco e nos membros, não afetando o rosto. Adquirem a forma de anéis ao se tornarem pálidas no centro. Outras lesões características da pele são os nódulos subcutâneos, do tamanho de uma bola de gude, localizados nas articulações, no crânio e na coluna vertebral.

 

Tratamento

Não existe um tratamento específico para a febre reumática, apenas se aplicam medidas gerais como repouso, antiinflamatórios e antibióticos. O repouso na cama é indicado, dependendo da gravidade do quadro, pelo menos durante duas semanas (período em que podem aparecer as alterações cardíacas). A utilização de antiinflamatórios como a aspirina, é efetivo para o alívio dos sintomas. O uso de corticóides como tratamento antiinflamatório é tema de discussão.

 

A grande diminuição na incidência da febre reumática ocorreu graças à implementação de programas para prevenir a doença. A erradicação completa da infecção por estreptococos, com um tratamento antibiótico adequado, é importante para prevenir o aparecimento de um primeiro episódio de febre reumática.

 

FLUXO GENITAL

Mesmo sendo comum a ocorrência de umidade na vagina e nos genitais externos, quando a quantidade aumenta e chega à vulva, extremamente sensível, a mulher tem a sensação de fluxo, ou corrimento, visível pelas manchas em suas roupas íntimas. O fluxo genital se define como o aumento anormal, persistente e objetivamente visível das secreções do aparelho genital feminino.

O fluxo genital ou leucorréia é um dos motivos mais freqüentes de consulta ao médico na prática diária.

 

Fatores predisponentes

 

- Diminuição dos níveis dos hormônios sexuais, produzidos pelos ovários (estrogênios e progesterona).
- Alterações anatômicas do aparelho genital.
- Doenças de origem metabólica, como a diabete; infecciosas, como as sexualmente transmissíveis; alérgicas.
- Uso de antibióticos de largo espectro, como a amoxicilina (que alteram a flora normal de microorganismos que impedem o crescimento de agentes infectantes).
- Uso de roupa inadequada.
- Higiene precária ou exagerada.
- Modificação do meio vaginal pelo uso de tampões, diafragmas, DIU, etc.

Causas

Existem inúmeros agentes causadores de fluxo genital. Entre os mais freqüentes podemos citar:

 

Fluxo por Tricomonas vaginalis:

É um parasito que se localiza no colo do útero, na vagina e na uretra. Produz um fluxo fluido, abundante, espumoso, fétido e esverdeado. Acompanha-se de uma coceira genital intensa que aumenta no período pós-menstrual. Invade o aparelho urinário produzindo dificuldade para urinar, ardor e aumento da freqüência das micções.

 

Fluxo por Gardenerella vaginalis:

Determina um quadro não muito definido denominado vaginose bacteriana por Gardenerella vaginalis, sendo uma causa muito comum de infecções de transmissão sexual. Localiza-se na vagina e produz um fluxo escasso, cinzento, homogêneo e de odor fétido.

 

Fluxo por Candida albicans:

É a causa mais comum de micose vaginal. Entre 15% e 65% das mulheres saudáveis são portadoras intestinais e 10% são portadoras vaginais destes agentes. Não somente se localizam a nível genital, mas também no reto e no ânus. Produz um fluxo escasso, cremoso e grosso, com uma coceira intensa

 

Tratamento

O tratamento depende do agente causador. No caso das tricomonas, como são adquiridas por contato sexual, o tratamento deve ser do casal para obter-se a cura, utilizando-se o metronidazol como antibiótico.

 

Para a gardenerella utiliza-se também o metronidazol, com bons resultados, devendo ser evitada a ingestão de álcool durante o tratamento. Para tratar a candida albicans utiliza-se a nistatina em óvulos vaginais ou cápsulas por via oral.

 

GLAUCOMA

O termo glaucoma abrange numerosas enfermidades oculares de diferentes causas, mas que têm como motivo comum o aumento da pressão intra-ocular. Se a hipertensão ocular persistir durante muito tempo pode provocar danos irreversíveis em todas as estruturas oculares, e muitas vezes levar à cegueira.

Esta pressão, no homem saudável, varia entre 10 e 20mm de mercúrio (mmHg) com uma média de 15mmHg. Uma pressão acima de 23mmHg verificada repetidamente significa glaucoma. O aumento da pressão ocorre por falta de evacuação do humor aquoso, um líquido claro semelhante à água que permite que o olho mantenha a forma e as dimensões constantes e, além disso, nutre as diversas estruturas, como a córnea, o cristalino e a retina.

 

Sintomas

É uma doença traiçoeira, podendo transcorrer dez anos ou mais desde seu início sem que o doente tenha notado qualquer alteração. Geralmente é detectada de maneira casual entre pessoas de 45 a 50 anos, quando consultam um médico por qualquer outro motivo.

 

Caracteriza-se pelo aparecimento de dores muito intensas no olho, que se deslocam até a testa e a cabeça, podendo aparentar, às vezes, uma dor de molares. Nas formas mais graves, a dor pode afetar até o abdome, produzindo náuseas e vômitos. Ao observar uma fonte de luz, podem aparecer círculos ou anéis luminosos ou a sensação de moscas voando. Também pode ocorrer perda da visão lateral, que finalmente pode levar à cegueira.

 

Tratamento

O tratamento com medicamentos é indicado enquanto for possível manter a pressão intra-ocular dentro dos níveis normais. Os medicamentos usados se dividem em dois grupos: os que melhoram a circulação do humor aquoso, como a
pilocarpina; e os que reduzem a formação do humor aquoso, como os inibidores
da anidrase carbônica.

 

Quando os medicamentos já não são mais eficazes ou não são tolerados, deve-se recorrer à cirurgia.

 

GRIPE

Definição

A gripe é uma infecção viral das vias respiratórias. Atualmente, distinguem-se três tipos de vírus causadores da gripe: A, B e C, segundo as características de sua estrutura. O tipo A é o que se apresenta com maior freqüência.

 

As crianças pequenas podem sofrer três ou quatro destas infecções por ano, e é raro o adulto que escapa sem sofrer alguma.

 

As gotas eliminadas pelas pessoas contaminadas ao tossir e espirrar são as principais responsáveis pela transmissão do vírus da gripe.

 

O vírus se multiplica nas vias respiratórias, alcançando sua concentração máxima nas secreções aos 2 ou 3 dias da infecção. Deixa de ser detectável depois de aproximadamente 7 dias, embora as crianças infectadas pela primeira vez possam levar duas semanas para eliminá-lo.

 

Nos climas temperados, a gripe é uma doença dos meses frios que tende a se apresentar de forma epidêmica.

 

Quadro Clínico:

 

Os vírus da gripe podem gerar um espectro amplo de manifestações clínicas, que compreendem desde a infecção sem sintomas até uma pneumonia viral grave. A infecção de maior gravidade tende a ser associada ao tipo A. O período de incubação é variável, entre 1 e 5 dias.

 

A doença tende a começar bruscamente, com faringite, dores de cabeça, calafrios, tosse seca, febre alta (que tende a ser mais elevada em crianças), dores musculares, mal-estar geral e falta de apetite.

 

Às vezes, observa-se obstrução nasal, eliminação de secreções aquosas pelo nariz, espirros e incômodos oculares. A febre começa a diminuir a partir do segundo ou terceiro dia, e não é freqüente além do sexto dia. A tosse e a debilidade geral podem persistir várias semanas depois do contágio. Apresenta-se com maior freqüência e gravidade em pessoas fumantes.

 

Nas crianças, as manifestações clínicas são similares, mas algumas diferenças são evidentes. A freqüência de complicações gastrintestinais, como vômitos e dor abdominal, é relativamente elevada.

 

Entre as complicações que podem surgir destaca-se a pneumonia viral, em 25% dos casos, sendo muito freqüente em mulheres grávidas. Entre as diferentes manifestações podem ocorrer aumentos do ritmo respiratório e cardíaco, febre elevada e diminuição da pressão arterial.

 

Uma das complicações mais graves é a Síndrome de Reye, que ocorre em crianças e adolescentes, causando uma mortalidade elevada. É caracterizada por alterações ao nível do sistema nervoso central e do fígado. Parece existir uma correlação com o consumo de medicamentos tipo aspirina, motivo pelo qual seu uso não é recomendado em crianças com infecção respiratória.

 

Tratamento:

 

A amantadina pode ser utilizada para a prevenção e o tratamento específico das infecções produzidas pelos vírus da gripe. Estima-se que o efeito protetor pode alcançar aproximadamente 75% dos usuários deste medicamento.

 

Atualmente, a vacinação é a medida preventiva mais eficaz, embora sua eficácia seja relativa, pois evita a doença somente em 60-80% dos vacinados. A vacina é administrada em dose única, mas é recomendável a revacinação a cada outono, , antes da epidemia invernal. Nos jovens a vacina tende a ser mais eficaz do que nos idosos, no sentido de que evita melhor as complicações e a má evolução clínica.

 

A gravidez não contra-indica o uso da vacina, embora também não seja uma indicação absoluta. A vacina anual é especialmente indicada para pessoas susceptíveis, mas pode ser administrada a qualquer pessoa que o deseje.

 

HEPATITE VIRAL

A hepatite viral é uma das doenças mais prejudiciais em todo o mundo, seja pelo número significativo de doentes e sua grande mortalidade, e pelo enorme volume de recursos médicos e econômicos necessários ao seu tratamento.

A hepatite é conhecida há mais de 200 anos, mas somente nas últimas décadas, a identificação de seus sintomas específicos tem facilitado diagnósticos precisos.

 

A doença se caracteriza por um processo inflamatório no fígado, que pode ser produzido por agentes virais que tenham uma afinidade especial por este órgão, como os vírus A, B, C, D e E, e outros como o Citomegalovirus, Espeten-Barr, Coxackie etc. Estes últimos se apresentam com freqüência muito menor. A hepatite pode ainda ser causada por bactérias, drogas, toxinas e álcool. A doença causada pelos diferentes tipos de vírus é clinicamente semelhante, mas o modo de transmissão e evolução é diferente para cada vírus. Os danos às células do fígado parecem ser determinados pelo tipo de resposta gerada pelo hóspede.

 

Quadro clínico

 

Independentemente da causa, as seguintes formas clínicas poder ser distigüidas:

 

Hepatite ictérica aguda ou comum:

 

Este tipo de hepatite começa com manifestações gastrintestinais inespecíficas, como náuseas, vômitos, falta de apetite, dor abdominal e febre, embora não sejam constantes. Posteriormente, estes sintomas se acentuam, agregando-se dores musculares e de cabeça, e faringite naqueles que têm hepatite A. A urina se torna escura e as fezes perdem sua cor normal, tornando-se esmaecidas. Entre duas e três semanas após o começo do quadro, a pele, os olhos e a boca adquirem uma coloração amarelada (a icterícia), os sintomas inespecíficos se atenuam ou desaparecem. Algumas crianças sofrem de uma intensa coceira e, como conseqüência, lesões. O começo súbito dos sintomas indica hepatite A, enquanto um começo lento e insidioso indica hepatite B. Em geral, a evolução da doença não dura mais do que 4 ou 6 semanas; são poucos os casos que se prolongam até três meses.

 

Hepatite anictérica:

 

Esta forma clínica parece ser a forma mais freqüente de todas as hepatites virais. Sua freqüência exata é difícil de estabelecer porque não se apresenta acompanhada dos sintomas mencionados acima, e somente com um controle bioquímico é que se pode identificá-la. Geralmente não se observam sintomas.

 

Hepatite colestática:

 

É a forma menos freqüente, tanto nas crianças quanto nos adultos. Caracteriza-se por uma intensa coloração amarelada da pele, da boca e dos olhos, febre e coceira intensa. Seu curso geralmente é prolongado, de 2 a 6 meses, mas não deixa seqüelas.

 

Hepatite prolongada:

 

Quando as manifestações clínicas permanecem por períodos de tempo que superam os três meses, às vezes até um ano.

 

Hepatite fulminante ou subfulminante:

A hepatite fulminante se apresenta duas semanas depois do começo da icterícia, enquanto a subfulminante começa entre duas semanas e três meses. Os sintomas são: incremento da icterícia, alterações do sistema nervoso, da coagulação e diminuição do tamanho do fígado. Em adultos, os vírus responsáveis, em ordem de freqüência, são: B, D, A, E e C. Na idade pediátrica o Vírus A é o responsável por 55% dos casos.

 

Distribuição

 

Hepatite A

Existe uma variação considerável na prevalência da infecção pelo vírus da Hepatite A em diferentes partes do mundo. Em áreas com condições sanitárias precárias e baixos níveis socioeconômicos é mais elevada, devido a forma de transmissão fecal-oral (contaminação dos alimentos pelas fezes de uma pessoa infectada). Sua incidência é independente do sexo e da raça. O período de incubação varia entre 15 e 40 dias. Devido à forma de transmissão, é comum a ocorrência de casos por contato familiar, nas escolas, instituições de menores etc. Também ocorre quando a água potável ou os alimentos são contaminados, especialmente os mariscos. Outra possibilidade de contágio é no caso de ausência de uma higiene adequada, ou manipulação por pessoas infectadas ou em fase de incubação.

 

Hepatite B

A Hepatite B é considerada um grande problema de saúde pública mundial por causa de sua distribuição global, pelo grande número de portadores do vírus e por sua relação com o câncer do fígado. É a responsável por doenças hepáticas de longa evolução. O período de incubação é de aproximadamente 45 a 160 dias, com uma média de 120 dias. Os dados em relação à infecção pelo vírus da Hepatite B são:

 

No mundo:
- Mais de 300 milhões de portadores crônicos.
- Mais de 100 milhões de pessoas infectadas anualmente.
- Mais de 2 milhões de casos fatais por ano.

 

A via predominante de transmissão é por contato sexual ou por produtos sangüíneos (transfusões, viciados em drogas que usam a via intravenosa). O vírus está presente no sangue e seus derivados e em todos os fluidos corporais (saliva, urina, líquido seminal, secreções vaginais, lágrimas, suor, leite), com a exceção das fezes.

 

Hepatite C

O vírus da Hepatite C tem uma distribuição universal e calcula-se que existam 100 milhões de portadores. A via principal de transmissão é através de produtos hemoderivados, ocorrendo o Vírus C em 80%-90% das hepatites por transfusões sangüíneas. A Hepatite C é uma complicação freqüente nos pacientes que tenham alterações de coagulação, com elevada incidência em
hemofílicos.

 

Hepatite D

As vias de transmissão são as mesmas do Vírus B. Se as condições higiênicas são ruins, aumenta a sua difusão através dos fluidos corporais contaminados. Quando afeta as crianças, é acompanhada de uma alta taxa de mortalidade, entre 10% e 20%.

 

Hepatite E

Encontra-se em áreas tropicais e subtropicais com condições socioeconômicas deficientes. Sua transmissão sempre ocorre pela contaminação da água com fezes que contém o Vírus E. Afeta, na maioria, jovens-adultos(15-40 anos), sendo baixa a ocorrência em crianças.

 

Tratamento

 

O tratamento se baseia no emprego de medidas simples de alívio dos sintomas e, em casos graves, na aplicação de tratamento específico.

 

A necessidade de internação é rara na hepatite viral de curso normal, não complicada, mas pode ser indicada quando as medidas higiênico-dietéticas devem ser garantidas. O isolamento é uma medida praticamente inútil, já que o período de contágio ocorre nas fases iniciais do quadro, geralmente antes da doença ter sido diagnosticada. A pessoa doente deve dispor de uma habitação individual e usar pijamas que cubram todo o corpo para prevenir a contaminação fecal dos lençóis. Sua roupa de cama, assim como os pratos e talheres de seu uso, devem ser recolhidos e lavados separadamente.

 

O repouso estrito não é uma indicação absoluta. O repouso relativo corresponde aos limites impostos por alguns dos sintomas, como o cansaço ou o desânimo total. O retorno à atividade normal é permitido quando os sintomas gerais e os parâmetros bioquímicos se normalizam.

 

Também não é necessária dieta estrita nas hepatites agudas de evolução normal. A restrição das gorduras é recomendável somente na fase ictérica ou colestática. A suplementação vitamínica não é necessária, apenas a utilização de vitamina K é indicada quando existem alterações na coagulação.

 

Medidas gerais

 

Hepatite A:

 

A principal fonte de infecção são as fezes contaminadas, sendo a transmissão do Vírus A muito comum entre os membros de uma família, por contato direto através da contaminação da água ou dos alimentos. É importante ressaltar a necessidade de lavar as mãos freqüentemente, particularmente depois da defecação. É preciso ter um cuidado especial com objetos de uso pessoal (escova de dentes, talheres etc.). A filtração e cloração adequada da água e uma rede sanitária eficiente são imprescindíveis. É importante saber que ferver a água durante um minuto faz com que o vírus se torne inativo.

 

Hepatite B:

A presença do Vírus B no sangue e em todos os fluidos corporais e sua grande resistência ao calor explicam as possibilidades de contaminação. A redução da freqüência das hepatites por transfusões exige o uso moderado das transfusões sangüíneas, limitando-as aos casos onde sejam estritamente necessárias e restringindo sua quantidade ao mínimo necessário. A aplicação de todas as medidas de biossegurança limita a disseminação do vírus, principalmente em todas as práticas realizadas na atividade assistencial à saúde (utilização de luvas, manuseio cuidadoso de agulhas e outros elementos de contato etc.).

 

Hepatite C:

Com a introdução nos bancos de sangue da pesquisa do anticorpo Anti-Vírus C a partir de 1990, obteve-se uma redução de 50% a 70% dos casos de hepatite por transfusões. Ademais, devem ser consideradas todas as normas de biossegurança já mencionadas.

 

Hepatite D:

 

As medidas de prevenção da infecção pelo Vírus B são aplicáveis para o Vírus D.

 

Hepatite E:

 

Semelhante ao Vírus A, é fundamental melhorar as condições higiênico-sanitárias, tendo cuidado especial no tratamento da água (fervê-la, clorá-la etc.).

 

Vacinas

Atualmente há vacinas contra a Hepatite B obtidas mediante técnicas de engenharia genética e uma vacina contra a Hepatite A obtida de vírus mortos. A vacina da Hepatite A é recomendada para os adultos que vão viajar para zonas endêmicas, mas é previsível que se amplie sua indicação a grupos de risco (pessoal de serviços de saúde, enfermeiras pediatras etc.). Em algumas regiões, a vacina da Hepatite B incorporou-se ao calendário de vacinação obrigatório da infância e, em outras, é administrada de modo universal aos adolescentes. Ademais, a sua administração é recomendada em pessoas susceptíveis com elevado risco de contrair a infecção. Entre elas estão os profissionais de serviços de saúde expostos ao contato com o sangue ou seus derivados (laboratórios, bancos de sangue, dentistas, cirurgiões etc. ), pessoas em hemodiálise periódica, hemofílicos, filhos de mães portadoras, cônjuges de doentes com Hepatite B, pessoas de vida sexual promíscua e viciados em drogas

 

HIPERTENSÃO

Definição

A hipertensão arterial é o aumento desproporcionado dos níveis da pressão em relação, principalmente, à idade. A pressão arterial normal num adulto alcança um valor máximo de 140 mmHg (milímetros de mercúrio) e mínimo de 90 mmHg. Valores maiores indicam hipertensão (pressão alta).

A incidência de pressão alta é observada em relação a:

 

Idade e Sexo: A pressão alta é mais comum nos homens do que nas mulheres, e em pessoas de idade mais avançada do que nos jovens.

 

Genética: Pessoas com antecedentes familiares de hipertensão têm maior predisposição a sofrer da mesma.

 

Estresse.

 

Excesso de peso (obesidade).

 

Causas

As causas que provocam a pressão alta são muitas e variadas. Na maioria dos casos, a causa é desconhecida ou não está bem definida. Entre as causas conhecidas estão as doenças dos rins, das glândulas (endócrinas), do sistema nervoso, o abuso de certos medicamentos e a gravidez.

 

Sintomas

Na primeira fase a hipertensão arterial não apresenta sintomas, mas, à medida que os anos vão passando, eles começam a aparecer. Os mais comuns são: dor de cabeça, falta de ar, enjôos, visão turva que pode estar acompanhada de zumbidos, debilidade, sangramento pelo nariz, palpitações e até desmaios.

 

A importância da pressão alta não está nos sintomas, mas nas graves complicações que podem provocar um enfarte agudo de miocárdio, ou um derrame cerebral, e até a morte de forma instantânea.

 

Tratamento e prevenção

A melhor forma de prevenir a doença é mediante um controle periódico (tirar a pressão), não abusar das comidas com sal, caminhar e evitar o fumo e o café, que aumentam a pressão arterial. Em resumo, tentar modificar o estilo de vida.

 

Os tratamentos são destinados a manter a pressão arterial dentro dos limites normais, por um lado insistindo nas formas acima descritas de prevenção, e por outro, mediante medicamentos que, por diferentes ações, mantêm a pressão dentro dos limites normais. Os fármacos mais receitados são os diuréticos, os betabloqueadores e os vasodilatadores.

 

HIPOTIREOIDISMO

O hipotireoidismo é um quadro clínico caracterizado por uma diminuição na produção de hormônios tireoidiano pela tiróide, seja por uma alteração da própria glândula ou por uma diminuição em sua estimulação por outros hormônios produzidos no sistema nervoso central.

É uma doença que se apresenta com relativa freqüência, principalmente nas mulheres. Quando suas manifestações são leves, ela pode aparecer e ficar muito tempo sem ser detectada.

 

Quando o hipotireoidismo começa na própria glândula tireoidiana é denominado "primário" e aquele que resulta da estimulação insuficiente dessa glândula denomina-se "secundário". 

 

Quadro Clínico

 

O quadro clínico nos adultos, também chamado mixedema, tende a começar insidiosamente e é muito pouco perceptível. As pessoas com esse problema sentem frio até mesmo em pleno verão; sempre se cobrem mais do normal nesta época do ano. Cansaço e diminuição do apetite são freqüentes. Em geral não ocorrem grandes modificações no peso, mas este pode aumentar devido à retenção de líquidos. A voz se torna rouca e áspera. Observa-se na pele uma inchação característica, sobretudo no rosto, na nuca e na parte externa das mãos e dos pés. Ademais, a pele tende a ficar muito seca, endurecida, escamosa e pálida ou amarelada. O cabelo, as pestanas, as sobrancelhas e os pêlos corporais se tornam secos, grossos, frágeis e tendem a cair. As unhas também se tornam quebradiças e crescem lentamente.

 

O aumento do tamanho da língua, a palidez e inchação das gengivas, e a constipação são freqüentes.

 

Os pacientes sofrem perda de memória e apresentam outras manifestações de deterioração mental, com uma mudança gradativa da personalidade. Alguns sofrem de depressão.

 

O hipotireoidismo no recém-nascido tende a se manifestar através da dificuldade para respirar e icterícia (coloração amarelada da pele e das mucosas por aumento na bilirrubina). Ficam sonolentos, inchados, desinteressados pela alimentação, com um choro rouco e constipação. Caso não seja detectado e tratado corretamente, o hipotireoidismo pode provocar, além das características já descritas, graves alterações no crescimento e no desenvolvimento. As conseqüências mais sérias se produzem no sistema nervoso, com tremores, falta de coordenação motora e alterações mentais que causam retardamento do desenvolvimento mental. Uma vez estabelecido esse quadro denomina-se cretinismo. Quando o hipotireoidismo começa entre os 6 meses e os 2 anos de idade, também podem aparecer alterações mentais, caso não haja diagnóstico e tratamento imediato. Mas se o quadro se iniciar depois dos 2 anos, é mais raro ocorrer um déficit mental permanente.

 

Tratamento

O tratamento consiste na administração ininterrupta de hormônios tireoidianos. Como na maioria dos casos a diminuição da função da glândula tireoidiana é definitiva, é imprescindível manter o tratamento durante a vida toda.

 

Embora existam muitos medicamentos para a terapia hormonal, a levotiroxina é o de escolha para o início da mesma.

 

O tratamento inicial deve ser realizado com precaução nos casos graves de evolução prolongada, em pessoas de idade avançada, hipertensas, com arritmias e/ou insuficiência cardíaca.

 

HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana)

Trata-se de uma infecção viral crÿnica pelo HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana - sendo HIV a sigla em inglês) que destrui gradativamente o sistema imunológico.

A infecção pelo vírus HIV não significa contrair a AIDS (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida), sendo que o período transitório entre a infecção e a doença pode durar muitos anos sem haver sintomas. A pessoa infectada sente-se bem e tem bom aspecto.

 

Nesta situação, com infecção mas sem doença, diz-se que a pessoa é "soropositiva", já que pode contagiar outras pessoas.

 

A infecção por HIV assintomática é caracterizada por um período no qual ocorre uma deterioração lenta do sistema imunológico. Há uma depleção dos linfáticos auxiliares CD4, criando uma deterioração do sistema imunológico.

 

A pessoa infectada normalmente não tem sintomas, podendo passar um período de 10 anos ou mais antes que estes se desenvolvam.

 

Às vezes, podem aparecer nódulos linfáticos inflamados, desordens na pele ou meningite séptica. Nesta fase não há sintomas nem sinais de infecção.

 

Num estudo entre pessoas infectadas por HIV realizado entre 1977 e 1980, alguns indivíduos não apresentavam nenhum sintoma enquanto que outros apenas apresentavam linfo-adenopatias generalizadas (nódulos inflamados).

 

Não se pode afirmar que todas as pessoas infectadas com o HIV desenvolvem inevitavelmente a AIDS.

 

Os fatores de risco de uma infecção por HIV são o contato sexual com uma pessoa infectada, uso de drogas por via intravenosa, transfusões de sangue ou plasma contaminados, ou nascer de uma mãe infectada

 

Sintomas:

Não há sintomas nesta fase da doença. Mas quando estes começam a aparecer, incluem:

 

- Inflamação das glândulas linfáticas.
- Desordens na pele.
- Meningite séptica. Diagnóstico:
- O exame que mostra a infecção por HIV se chama ELISA, um exame de anticorpos HIV. O exame para o HIV pode passar por um período "cego" ou negativo falso.Este período transcorre desde a infecção do indivíduo com o HIV até a soroconversão positiva.

 

Este período deve ser menor de 6 meses, pois antes disso os exames comerciais apresentam resultados positivos em 95% das pessoas infectadas pelo vírus HIV.

 

Este período é muito importante dado que o indivíduo, sendo soronegativo, pode contagiar outras pessoas.

 

Tratamento:

Recomenda-se terapia com agentes antivirais em pessoas infectadas pelo HIV, tanto sintomáticas como assintomáticas, cuja conta de CD4 seja de 500 ou menos.

 

Sabe-se que as pessoas infectadas pelo HIV desenvolvem a AIDS num tempo variável, sendo a média de 8 a 10 anos, embora as crianças a desenvolvam muito antes. Todavia, existem pessoas que, depois de 15 anos de infecção, não manifestam sinais da doença.

 

Uma vez que a AIDS tenha se desenvolvido, a morte segue inevitavelmente em 2 a 3 anos.

 

IMPOTÊNCIA

Na sexologia, a questão das disfunções, tanto no homem quanto na mulher, é, talvez, a que gera mais problemas de definição e de diagnóstico.

O termo impotência, popular e pejorativo, que sugere um fracasso contínuo na ereção, está sendo substituído por expressões como disfunção erétil, ou também inibição ou falha da ereção.

 

As principais causas desta dificuldade podem ser resumidas em duas: o fato de tratar-se de um tema que tem sido tabu durante muitos séculos, especialmente na sociedade ocidental, e o problema derivado da importância que os fatores psicológicos adquirem, ao serem somados aos puramente orgânicos, nas alterações do que se poderia chamar de um funcionamento normal da sexualidade (entendendo por "normal" o que é satisfatório para ambos os membros do casal). Este funcionamento "normal" é alterado no homem essencialmente pela impotência, a ejaculação precoce ou a ausência de ejaculação.

 

Definição:

 

Podemos definir o transtorno da ereção no homem como a incapacidade para obter ou manter uma ereção suficiente para consumar o ato sexual. Na realidade, as situações susceptíveis de serem englobadas dentro de um problema erétil são tantas, e tão variadas, que é impossível chegar a uma definição que abranja todas.

 

Assim, pode haver uma falta parcial de ereção que, todavia, permite o coito; ou pode ocorrer uma falta completa de ereção, que não o permita, mas que somente ocorre de vez em quando, apresentando-se, nas demais ocasiões, uma ereção correta. O problema pode se apresentar de forma recorrente, ocasionalmente ou por períodos prolongados.

 

Mecanismo erétil:

 

Mecanismo responsável é um simples fenômeno hidráulico que ocorre de forma reflexiva. Mas, para que este "mecanismo da ereção" tenha lugar, é preciso que um grande número de estruturas estejam em perfeito estado de funcionamento.

 

Em primeiro lugar deve existir um nível adequado de testosterona (hormônio sexual masculino). Mesmo não sabendo-se qual o efeito exato que a testosterona tem na ereção, esse hormônio desempenha um papel importante na manutenção de um desejo sexual elevado.

 

Em segundo lugar, deve haver um estímulo que desencadeie o processo erétil. Quando o pênis ou a área adjacente é estimulada fisicamente, ocorre um estímulo que gera uma resposta de dilatação arterial que dá lugar à ereção. Por outro lado, o estímulo pode provir do próprio cérebro, que tem centros capazes não somente de iniciar a ereção mas também de inibi-la. Quando há estímulos reconhecidos como eróticos, o cérebro, enviando ordens, inicia a ereção de forma automática e involuntária.

 

Terceiro ponto importante é que se mantenham íntegras todas as vias nervosas que conduzem estes impulsos. No caso de estarem deteriorados por alguma doença (diabete ou alcoolismo) ou por um traumatismo ou cirurgia, a transmissão do impulso nervoso fica impedida. O objetivo desse impulso é a dilatação de algumas artérias que inundarão de sangue o tecido erétil.

 

Portanto, o quarto fator é a boa manutenção da rega sangüínea. O quinto ponto é o tecido erétil, que deve realizar corretamente a função de esponja. No caso contrário se dificulta a expansão do tecido e, portanto, a ereção. Para manter a ereção, é necessário o fechamento de válvulas venosas que impedem que se saia o sangue que entra. É fundamental, portanto, o bom funcionamento dessas válvulas.

 

Causas:

 

Como acabamos de ver, intervêm na ereção aspectos orgânicos, como o fluxo sangüíneo ou o impulso nervoso, diretamente implicados na mecânica erétil, e outros, que chamaríamos de psíquicos, mais relacionados com o controle neurológico do processo. O problema aparece quando qualquer um desses processos falha.

 

Apesar da dificuldade para distinguir entre os fatores orgânicos e psíquicos, que muitas vezes aparecem em conjunto, continuam-se fazendo muitas afirmações sobre este tema. Até uns anos atrás, se afirmava que 90% dos problemas eréteis eram de causa psíquica. Atualmente, há aqueles que afirmam quase o contrário, e encontram problemas orgânicos em quase todos os casos. Na realidade, a discussão não pode ficar presa a estes termos, já que a maioria das situações não correspondem unicamente a um extremo ou outro. Recentemente (maio/2006) um estudo de pesquisadores australianos apresentou provas de que a principal causa da impotência é de natureza genética e não psíquica como vinham sendo tratados a maioria dos casos. Entretanto ainda há ressalvas quanto a essa determinação.

 

Tratamento:

 

Devemos distinguir dois aspectos no tratamento da disfunção erétil. Por um lado, há a abordagem terapêutica ao que se tem denominado impotência psíquica (não devida a causas orgânicas). Por outro, há a terapia de qualquer problema orgânico que esteja contribuindo, em maior ou menor grau, à persistência do problema erétil.

 

Existem diversos métodos para tratar as disfunções eréteis. Alguns propõem que o tratamento seja orientado para que o homem aprenda a deixar de estar dependente de sua própria ereção, eliminando a ansiedade que o medo do fracasso cria nele. Enquanto um homem se sente "obrigado" a responder sexualmente, é possível que nunca solucione seu problema. Impõe-se,
portanto, por parte da mulher, uma atitude compreensiva (mas não compassiva) e de procura de alternativos, com o objeto de descarregar seu parceiro da responsabilidade.

 

O tratamento das disfunções orgânicas deve ser orientado em primeiro lugar a um controle dos fatores de risco: tabagismo, consumo de álcool e níveis altos de açúcar ou colesterol no sangue. Em segundo lugar, a alteração orgânica encontrada deve ser tratada: reposição hormonal (somente quando se apresentam problemas a este nível), medicamentos que aumentam o fluxo
sangüíneo quando este não for adequado, regeradores neurológicos (quando são os nervos que estão danificados) ou cirurgia quando deve ser reparada uma artéria obstruída, ou veias que deixam escapar sangue demasiado.

 

Como última opção, quando outras técnicas tiverem fracassado, pode recorrer-se à implantação de uma prótese no pênis.

 

INFECÇÃO URINÁRIA

A infecção urinária consiste na presença de microorganismos capazes de produzir infecção na urina e/ou nos diferentes órgãos que formam o aparelho urinário. Do ponto de vista clínico, e por sua localização, pode ser dividida em dois grupos: infecções das vias urinárias inferiores, localizadas na bexiga (cistite), na próstata (prostatite) e na uretra (uretrite); e as infecções das vias urinárias superiores, localizadas nos rins (pielonefrite).

As urinárias são as infecções de origem bacteriana mais freqüentes na população, predominando no sexo feminino. Ocorrem em qualquer idade, desde os recém-nascidos até os idosos. Nas mulheres, ocorre com uma incidência elevada: entre 20% e 30% delas já sofreram pelo menos uma vez de infecção urinária no transcurso de sua vida. O pico máximo ocorre quando a mulher
começa a ter relações sexuais, e durante a gravidez.

 

Nos homens, este tipo de infecção predomina nos extremos da vida, nos recém-nascidos e a partir dos 60 anos de idade, quando aparecem alterações na próstata.

 

Os agentes bacterianos mais freqüentemente envolvidos são a Escherichia Coli, Proteus, Klebsiella e os Staphylococcus. É raro que este tipo de infecção seja produzido por vírus. Entre os fungos, o mais freqüente é a Candida albicans.

 

As referências a seguir tratam exclusivamente da pielonefrite que, por sua importância clínica, necessita de atenção distinta das demais infecções urinárias. Estas últimas serão discutidas em seções especiais

 

Quadro clínico

 

A pielonefrite se carateriza pelo aparecimento de calafrios e o aumento na temperatura corporal, podendo ser superior aos 40 graus centígrados. Há ainda dor na região lombar, que pode irradiar-se à região abdominal, acompanhada de náuseas e vômitos. O aparecimento de problemas urinários, como dificuldade para urinar e aumento na freqüência das micções, é comum. Porém, é importante lembrar que estes sintomas urinários podem não estar presentes ou podem aparecer mais tarde.

 

Nas crianças menores de dois anos, o quadro clínico se apresenta de forma menos específica, com febre, vômitos e dor abdominal.

 

Aproximadamente 50% das pessoas com pielonefrite têm antecedentes de infecções nas vias urinárias baixas nos 6 meses anteriores.

 

Tratamento

 

O tratamento deve basear-se na administração de antibióticos de eficácia comprovada, que alcançam concentrações adequadas e efetivas nas vias urinárias. É imprescindível a identificação do micróbio, assim como a existência de fatores favoráveis à infecção.

 

Atualmente, a via e a duração do tratamento estão sendo discutidas por alguns autores, mas a administração de quinolonas como a ciprofloxacina durante 10 ou 12 dias tende a ser a mais indicada. Uma alternativa pode ser as cefalosporinas ou a trimetropina/sulfametoxasol como tratamento primário.

 

Nas crianças menores de dois anos, o quadro clínico se apresenta de forma menos específica, com febre, vômitos e dor abdominal.

 

Aproximadamente 50% das pessoas com pielonefrite têm antecedentes de infecções nas vias urinárias baixas nos 6 meses anteriores.

 

LEUCEMIA

A Leucemia é uma doença caracterizada pela cessação do amadurecimento das células encarregadas da formação dos constituintes do sangue, com uma proliferação e crescimento descontrolado de células sangüíneas imaturas. Esta proliferação se origina ao nível da medula óssea, a partir da qual se dissemina ao sangue e aos diferentes tecidos.

É o câncer mais freqüente na infância, representando 35% a 40% dos cânceres pediátricos, com uma incidência de 3 a 4 casos por ano em cada 100.000 crianças menores de 15 anos.

 

Mesmo que as causas desencadeantes do quadro sejam desconhecidas, alguns fatores têm sido associados, como a exposi¸ão a radiações ionizantes, agentes químicos (pesticida, benzina, etc.) ou alquilantes; todavia, a presen¸a desses antecedentes em crianças é rara.

 

Nos anos 60, representava uma doen¸a mortal, com 80% de óbitos ocorrendo no prazo de 6 meses da doen¸a ter sido diagnosticada. Posteriormente, graças a um maior conhecimento do desenvolvimento tumoral, desenvolveram-se programas
eficazes de tratamento com um índice de cura entre 50% e 70% dos casos.

 

Quadro Clínico

 

As manifestações clínicas caraterísticas podem ser divididas em quatro síndromes: 

Síndrome anêmica: Observa-se uma anemia progressiva com palidez da pele e das mucosas, com cansa¸o fácil, dificuldade para respirar que aumenta com o esforço físico, dores de cabeça, irritabilidade ou sonolência e aumento da freqüência cardíaca.

Síndrome hemorrágica: Desencadeada principalmente pela grande diminuição ou desaparecimento das plaquetas do sangue. As hemorragias podem ser observadas em qualquer lugar do corpo, mas principalmente se observam ao nível da pele e das mucosas, criando desde hematomas até grandes hemorragias associadas ou não a traumatismos. Sangrar pelo nariz é um dos sintomas mais comuns e, como conseqüência de sua abundância e reaparecimento, tende a ser o primeiro sintoma que motiva a consulta médica.

Síndrome Febril: Em aproximadamente 30% dos casos é a febre de vários dias de evolução, geralmente associada à tosse, dor ao engolir ou dor abdominal, que leva à consulta médica.

Síndrome Tumoral: É caraterizada pela infiltração das células sangüíneas imaturas nos diferentes órgãos. Os órgãos mais freqüentemente afetados são o fígado, ba¸o, gânglios e genitais. O comprometimento dos ossos e articula¸ões, em 25% a 30% dos casos, desencadeia dores intensas. A afetação do sistema nervoso central se manifesta por vômitos, dores de cabeça e
paralisia de alguns nervos. Ao nível dos órgãos genitais, o testículo é afetado em 10% a 20% dos casos com um aumento de seu tamanho, mas sem produção de dor. O ovário, em contrapartida, não costuma ser afetado.

 

Tratamento

 

A partir da década de 70, e como conseqüência do maior conhecimento da doença e de um melhor desenvolvimento dos programas terapêuticos, mais de 70% dessas crian¸as puderam ser curadas, alcançando saudavelmente a idade adulta.

 

O tratamento da Leucemia se baseia principalmente em dois pilares: a quimioterapia, que tem como objetivo o desaparecimento das células leucêmicas, e o tratamento de apoio com o propósito de controlar as complica¸ões que podem aparecer. É de grande importância um controle adequado das hemorragias e das infecções que em alguns casos podem ser fatais.

 

MENINGITE

Definição:

A meningite é um processo inflamatório das meninges, membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal.

 

As causas são muitas, mas podem ser classificadas em bacterianas, virais e micóticas (fungos).

 

As bactérias são as responsáveis pela maioria das meningites. A freqüência com que cada tipo se apresenta está diretamente relacionada com a idade. Nos adultos predomina o pneumococo, em crianças e jovens é o meningococo, e o Haemophilus influenza predomina entre os 2 meses e os 5 anos de idade.

 

Entre os fungos, o Criptococco neoformans é o mais freqüente. As meningites de origem viral são de evolução benigna e autolimitada. Noventa por cento das pessoas afetadas têm menos de 30 anos de idade.

 

Aproximadamente 70% dos casos são causados por enterovírus (Coxsackie, echovirus) e ocorrem mais freqüentemente no final do verão e no início do outono.

 

Nos países em desenvolvimento, a meningite bacteriana continua sendo uma doença que coloca em risco de vida as pessoas mais vulneráveis, como os recém-nascidos, os idosos e aqueles com deficiência no sistema imunológico.

 

Quadro Clínico

As manifestações clínicas se caracterizam por febre, vômitos, dor de cabeça intensa e generalizada, dores musculares, rigidez da nuca e alteração do estado de consciência.

 

A febre é o sintoma mais freqüente, sendo superior aos 39o C. Os vômitos se apresentam em jato e geralmente não são acompanhados de náuseas.

 

O estado de consciência pode ficar diminuído, embora não sempre, oscilando entre uma sonolência e até o coma, com episódios de excitação intercalados.

 

Também podem ser encontradas manifestações clínicas como conseqüência da infecção na porta de entrada do micróbio, como a presença de catarro nas vias respiratórias, o que ajuda a identificar os microorganismos responsáveis pelo quadro clínico.

 

A meningite de origem bacteriana constitui uma das complicações mais freqüentes da otite média aguda, sendo o pneumococo o agente causador mais freqüente.

 

Nas crianças os sintomas e sinais são menos perceptíveis. Febre, vômitos e choro intenso são freqüentes, mas a rigidez da nuca pode não ocorrer.

 

As meningites não tratadas podem ser mortais na maioria dos casos. Mas se forem tratadas de maneira precoce e adequada a mortalidade é inferior a 10%.

 

Tratamento

Este quadro clínico constitui uma urgência médica; se o tratamento demorar, a mortalidade e as seqüelas neurológicas podem aumentar consideravelmente.

 

O tratamento se baseia na erradicação do microorganismo do sistema nervoso e no combate às complicações neurológicas que possam aparecer em conseqüência da proliferação bacteriana.

 

A escolha do antibiótico adequado depende do micróbio causador e do quadro clínico. Os mais utilizados são a ampicilina, as cefalosporinas, a gentamicina e a vancomicina.

 

A prevenção da maioria das meningites é feita mediante a administração de vacinas. A vacinação dos lactentes contra o Haemophilus influenza tem diminuído consideravelmente os casos de meningite causada por estes agentes.

 

A vacinação contra o meningococo se realiza principalmente durante as epidemias e nas populações sob suspeita de uma disseminação da doença.

 

OBESIDADE

Atualmente, a obesidade constitui o distúrbio metabólico mais freqüente dos países industrializados.

Por isso, e porque é um fator de risco para o aparecimento de diabete, doenças cardiovasculares, hipertensão arterial e alguns tipos de câncer, a obesidade representa um problema grave de saúde pública.

 

A obesidade constitui um excesso de tecido adiposo que é acompanhado de aumento do peso corporal, sendo um risco para a saúde.

 

O tecido adiposo normalmente representa de 10% a 20% do peso corporal. Na primeira fase, as células do tecido adiposo (os adipócitos) carregam-se de gordura, aumentando de tamanho. Na segunda fase, a célula já não pode crescer mais, formando-se novos adipócitos, o que pode acontecer de maneira ilimitada.

 

Causas:

Existe um desequilíbrio energético no qual participam 3 fatores fundamentais: hereditariedade, ingestão calórica e gasto energético.

 

Hereditariedade: em um terço dos obesos, um dos pais também é obeso. Quando ambos os genitores são obesos, a possibilidade de que seus filhos também sejam obesos pode chegar a 50%.

Ingestão calórica: quando o organismo ingere mais calorias do que consome, o excesso se armazena como gordura, conduzindo paulatinamente à obesidade. É possível que o controle do apetite opere defeituosamente, já que os obesos desta categoria não passam por uma sensação precisa de fome ou a confundem com sentimentos de ansiedade ou depressão.

Gasto energético: o metabolismo destas pessoas é normal ou elevado, não podendo culpar-se a diminuição do mesmo como responsável pela economia calórica.

 

Consequências:

 

Aparelho cardiovascular: hipertensão, aterosclerose, varizes nos membros inferiores.

Aparelho respiratório: ocorre um aumento do trabalho respiratório para mover a caixa torácica e o abdome, com dificuldade para respirar.

Manifestações metabólicas: 80% dos diabéticos Tipo II, no momento do diagnóstico, são obesos. Existe também um aumento do colesterol.

Aparelho digestivo: intolerância a certas comidas, flatulência, aumento do tamanho do fígado por depósito de gordura.

 

Tratamento:

O tratamento da obesidade não se destina unicamente a tratar o excesso de peso, mas a melhorar o estado geral de saúde. Recomenda-se o seguinte:

 

Redução da quantidade calórica: com dietas hipocalóricas equilibradas de proteínas, gorduras e hidratos de carbono.

Aumento do gasto energético: um programa de exercício físico adaptado às condições do paciente.

Medicamentos: redutores de apetite são utilizados somente como complemento do tratamento em um grupo limitado de pessoas obesas.

Psicoterapia: é importante estimular a motivação destas pessoas, ajudando-as a seguir a dieta e a modificar sua atitude em relação às comidas. 

 

OSTEOPOROSE

Definição:

A osteoporose é uma doença do sistema esquelético caracterizada pela diminuição da massa óssea e deterioração estrutural do tecido ósseo, com o conseqüente aumento da fragilidade do osso e da susceptibilidade para desenvolver fraturas.

 

Qualquer osso do esqueleto pode sofrer lesões, salvo os do crânio, sendo as fraturas mais freqüentes as dos quadris, dos punhos e os achatamentos vertebrais.

 

A osteoporose é uma doença própria das pessoas de idade avançada, afetando especialmente mulheres.

 

Calcula-se que 30% das mulheres pós-menopáusicas sofram da doença, cuja incidência aumenta exponencialmente com a idade a partir dos 70 anos.

 

A menopausa representa uma das principais causas da osteoporose, devido à diminuição dos níveis de estrogênios.

 

Fatores predisponentes

 

Dentre os múltiplos fatores que contribuem para a diminuição da densidade óssea podemos destacar:

 

Menopausa: a diminuição na secreção de estrogênios que ocorre nesta fase cria um aumento na reabsorção óssea. Isso ocasiona uma aceleração da perda da massa óssea.

Idade: a partir dos 35 até os 40 anos ocorre uma perda fisiológica de osso (aproximadamente de 0,5% - 1% por ano).

Androgênios: a deficiência deste hormônio no homem leva à osteoporose.

Sexo: a massa óssea no final do desenvolvimento é menor na mulher que no homem.

Corticóides: os níveis elevados de corticóides, sejam endógenos (Síndrome de Cushing), ou exógenos (medicamentos) freqüentemente estão ligados a osteoporose.

Hormônio tiroidiano: aumenta o reabsorção óssea, possibilitando as perdas; daí o risco que correm os hipertiróideos.

Dieta: pobre em cálcio e vitamina D, sobretudo se ocorre durante o crescimento.

Exercício físico: sua falta durante o desenvolvimento dificulta a aquisição de uma massa óssea adequada.

O sedentarismo, em qualquer idade, aumenta o risco da osteoporose. Hábitos sociais: o fumo, o álcool e o café favorecem o desenvolvimento desta doença.

Quadro Clínico:

 

A ocorrência de fraturas e suas conseqüências (dor, impotência funcional, deformidade) constituem o sinal clínico fundamental desta doença.

 

Dor: A dor é o principal sintoma. Nas fraturas dos ossos largos, como o fêmur ou o rádio, ocorre de forma brusca e intensa. Nos achatamentos vertebrais distinguem-se dois tipos de dor: uma aguda, intensa e bem localizada; e outra insidiosa, contínua e de localização difusa. A primeira tende a aparecer de forma brusca, após um traumatismo mínimo ou um pequeno esforço (como tossir, levantar peso, agachar-se), localizada na linha média das costas e que aumenta com o movimento. Após os primeiros achatamentos a dor chega a ceder totalmente, embora, caso tenham ocorrido vários episódios, exista a possibilidade de uma dor crônica, persistente e que tende a ser de menor intensidade do que a dor inicial. Provavelmente, a origem desta dor deve-se à contratura dos músculos da região afetada. 

Deformidade: A acumulação de fraturas vertebrais provoca uma série de mudanças na estrutura corporal. Cada compressão vertebral pode provocar a perda de 0,5 a 1 cm de altura, por isso não é de se estranhar que ocorra uma diminuição progressiva da altura que, às vezes, pode superar os 10 cm. Alteração da mobilidade. Além da restrição da mobilidade que a dor impõe, a
sucessão de achatamentos vertebrais provoca uma série de modificações nos hábitos corporais, que podem dificultar a função respiratória, a postura e o caminhar, que se realiza a passos curtos e arrastando os pés.

Tratamento:

 

Sem dúvida, o melhor tratamento é a prevenção. O exercício físico, dentro das limitações criadas pelo estado de cada pessoa, representa uma boa medida preventiva. Caminhar durante 30 a 60 minutos, 3 a 4 vezes por semana, pode ser o suficiente. Os exercícios para tonificar a musculatura das costas também são úteis.

 

Deve aumentar-se a ingestão de cálcio, seja por produtos lácteos, seja mediante a administração de sais de cálcio. As necessidades mínimas de vitamina D também devem ser supridas.

 

Na menopausa, a reposição hormonal (com os estrogênios) diminui significativamente a perda de massa óssea e reduz a incidência de fraturas vertebrais e dos quadris (em aproximadamente 60%). Ademais, diminui os sintomas menopáusicos e reduz em até 50% a incidência de doenças cardiovasculares. Este tipo de tratamento exige a realização de controles
ginecológicos e mamários a cada 12 meses.

 

Quando não é possível empregar os estrogênios (idosos, mulheres com mais de 5 anos de menopausa e homens que não requerem testosterona), podem ser administrados difosfonatos ou calcitonina.

 

Estes medicamentos também têm demonstrado sua capacidade para prevenir a perda da massa óssea, e diminuem a incidência de fraturas vertebrais e dos quadris.

 

Os episódios de dor (fraturas) devem ser tratados com analgésicos e repouso durante 2 semanas (dependendo de cada caso). Pode ser útil o uso de calor local, assim como cintas ortopédicas.

 

Prevenção:

 

As medidas preventivas devem ser orientadas para obter-se o máximo do capital ósseo durante o período de desenvolvimento, e a neutralizar, na medida possível, os fatores causadores da perda posterior de osso.

 

Para isso, deve-se seguir desde a infância as recomendações descritas no tratamento: exercício físico, ingestão adequada de cálcio e vitamina D, e corrigir os fatores de risco.

 

A administração de vitamina D e cálcio reduz em 50% a incidência de fratura dos quadris em mulheres com mais de 75 anos.

 

Por último, pode-se adaptar uma série de medidas simples para reduzir a freqüência de quedas: adequar o ambiente dos idosos (eliminar tapetes, acondicionar os banheiros), tratar os problemas visuais (cataratas) e evitar os medicamentos calmantes, entre outras

 

PARKINSON

A doença de Parkinson é de origem desconhecida. Caracteriza-se por uma perda dos neurônios do sistema nervoso central, encarregados de produzir dopamina, uma substância que atua como mediadora da transmissão neuronial no sistema nervoso central. Afeta tanto os homens quanto as mulheres, e o início normal dos sintomas ocorre entre os 55 e os 65 anos, mas pode começar na adolescência e em idades avançadas, como 75 a 80 anos. Quanto mais tarde se manifestar, mais benigno será o curso evolutivo.

Quadro Clínico

 

Às vezes se apresenta como uma depressão anímica, e o doente ou sua família podem procurar um psiquiatra, porém o mais freqüente é a doença começar com tremores ou rigidez. Os tremores ocorrem, essencialmente, em repouso e sobretudo nas mãos, como se a pessoa estivesse contando moedas; cedendo ou diminuindo quando se executa uma ação ou quando se mantém uma postura.

 

A rigidez se manifesta por um aumento da tensão muscular nos membros e no pescoço. Outra característica é o aparecimento de dificuldade e lentidão na iniciação e continuação dos movimentos voluntários e automáticos (bradicinesia).

 

Ademais, torna-se difícil levantar-se de uma cadeira ou de uma cama ou virar-se quando deitado. O piscar dos olhos torna-se mais lento e os movimentos dos dedos ficam entorpecidos. Ocorrem também alterações na postura, e as pessoas ficam curvadas. O tom e o volume da voz podem mudar, tornando-se rouca e monótona. Metade dos pacientes tem problemas de
deglutição. Outras manifestações podem ser dificuldades na concentração, na aprendizagem ou para lembrar nomes, depressão, constipação, perda de peso e distúrbios do sono.

 

Tratamento

 

Até o momento, a doença de Parkinson não tem cura e o tratamento se baseia no alívio dos sintomas. A levodopa (L-DOPA) é o medicamento mais eficaz. É uma droga precursora da dopamina, e atua repondo as reservas esgotadas desta.

 

A levodopa atua melhorando os 3 sintomas fundamentais: rigidez, bradicinesia e tremor. Deve ser administrada junto com a carbidopa, que impede que a levodopa seja metabolizada nos diferentes tecidos, aumentando sua disponibilidade ao nível do sistema nervoso central.

 

Também podem ser utilizados outros medicamentos, como os anti-histamínicos e os Antidepressivos.

 

PROSTATITE

Definição:

A glândula prostática é composta por um músculo liso e tecido glandular. Localiza-se debaixo da bexiga e rodeia a parte superior da uretra. Seu diâmetro normal é de 3,5 a 4 centímetros, podendo variar em virtude de diversas patologias, como a hipertrofia benigna. A próstata é encarregada de segregar um fluido alcalino para a uretra durante a excitação sexual, com o objetivo de preceder e acompanhar o esperma que será ejaculado na vagina, cujo meio ácido pode destruir os espermatozóides.

 

A prostatite pode ser definida como a inflamação da próstata, podendo ser de origem bacteriana, não bacteriana, ou tratar-se de uma prostatalgia. As prostatites de origem bacteriana são produzidas, geralmente, pela Escherichia Coli. Nas pessoas internadas, podem ser encontradas outras bactérias como as Pseudomonas ou Enterococcus. As prostatites não bacterianas podem ser causadas pelas Chlamydias e pelos Mycoplasmas. Na prostatalgia ocorre uma inflamação da próstata, mas sem infecção.

 

Acredita-se que o estresse, a ansiedade e a depressão tenham um papel importante como causa das manifestações clínicas nas pessoas afetadas.

 

Quadro Clínico:

 

A inflamação da próstata se apresenta com dificuldade para urinar, aumento na freqüência das micções e sensação de urgência para urinar, podendo surgir dor ou desconforto na região genital, muitas vezes irradiando-se até a região lombar baixa, o reto, a zona imediatamente por cima do púbis ou os genitais externos.

 

Estes sintomas também tendem a ser acompanhados de febre alta, geralmente com calafrios e alteração do estado geral.

 

A prostatite crônica consiste na infecção recidiva da glândula. Seus sintomas são similares aos da prostatite aguda, mas pode não ocorrer aumento da temperatura.

 

Tratamento:

 

A eficácia do tratamento da prostatite bacteriana depende da concentração que o antibiótico alcança na secreção do líquido prostático. A ciprofloxacina e a trimetropima-sulfametoxazol alcançam concentrações eficazes quando administradas por via oral.

 

Nas prostatites não bacterianas, pode-se utilizar a eritromicina ou a claritromicina. A prostatalgia pode ser tratada com analgésicos e bloqueadores alfa-adrenérgicos, como o prasozin.

 

No caso da prostatite crônica, o tratamento pode apoiar-se em algumas medidas para aliviar os sintomas, como massagens e banhos.

 

Os problemas da próstata são freqüentes, sobretudo em homens idosos, calculando-se que 20% da população masculina terá algum problema nesta glândula ao longo de suas vidas.

 

Um dos problemas mais comuns é a hipertrofia benigna da próstata, que consiste no crescimento da glândula além das dimensões normais. Esta alteração apresenta alguns sintomas desconfortáveis, como urgência para urinar e dificuldade para fazê-lo. Em alguns casos é preciso recorrer à cirurgia.

 

RESFRIADO

Definição

O resfriado é a infecção respiratória mais comum em qualquer idade, com uma predominância maior em crianças do que em adultos. Ocorre durante todo o ano mas, nos climas temperados, tende a predominar na primavera e no outono.

Sua causa é predominantemente viral, principalmente pelos rinovírus, dos quais mais de 100 subtipos diferentes já foram descritos. A infecção por um tipo de vírus não protege contra infecção por outros subtipos, o que explica a alta incidência desta doença. Seu aparecimento está quase sempre associado a fatores inespecíficos, como exposição ao frio, umidade, respiração bucal etc., que atuam facilitando a penetração do vírus. Este se transmite a partir das secreções respiratórias (em pequenas partículas eliminadas ao falar, tossir e espirrar) e pode sobreviver horas na superfície dos objetos e nas mãos das pessoas infectadas.

 

Quadro Clínico

O período de incubação é curto, variando de 1 a 3 dias. Na maioria dos casos a fonte de contágio pode ser identificada em um familiar; criança ou adulto, que apresenta sintomas semelhantes, facilitando o diagnóstico nas fases iniciais.

 

A doença começa com a eliminação de uma secreção pelo nariz (rinorréia), aquosa no princípio, que vai se tornando mais grossa com o decorrer da doença. Há espirros, acompanhados de obstrução nasal e, freqüentemente, dor de garganta. A febre ocorre raramente, e o mal-estar geral e a dor de cabeça não tendem a ser demasiado intensos. Nas crianças pequenas inicia-se com fraqueza, rejeição parcial dos alimentos, febre, sono agitado, espirros e respiração ruidosa. Depois, aparece a rinorréia. A febre tende a ser alta no início, mas não dura mais de 2 dias. Os sintomas começam a diminuir no terceiro ou quarto dia. Em crianças maiores o quadro tende a ser mais leve, com menos febre e mal-estar geral.

 

Todo o quadro se resolve entre 5 e 10 dias, mas nas crianças pode complicar-se com otite, bronquite, adenoidite no lactente e sinusite no escolar. A persistência ou o reaparecimento de febre além do quarto dia, a permanência de tosse noturna depois da primeira semana e, em geral, a falta de melhoria a partir do quinto dia do resfriado pode significar uma complicação.

 

Deve-se lembrar que algumas doenças infecciosas, como o sarampo e a poliomielite, podem começar como um catarro das vias respiratórias e simular um resfriado comum.

 

Tratamento

O tratamento do resfriado é dirigido ao alívio dos sintomas. Nenhum medicamento específico tem efeitos curativos sobre o resfriado por rinovírus. O uso moderado de medicamentos para baixar a febre (antipiréticos), como a aspirina, o paracetamol, o ibuprofeno etc., e a manutenção de um ambiente adequado quanto à temperatura e umidade, uma alimentação que assegure um bom fornecimento de líquidos e repouso relativo permitem à pessoa superar rapidamente a infecção. É discutível o benefício do uso de anti-histamínicos, vasoconstritores ou broncodilatadores, sejam puros ou em combinações. Podem aliviar os sintomas transitoriamente, mas seu uso prolongado pode interferir com os mecanismos normais de defesa. Portanto, não é recomendado o uso de antibióticos para prevenir complicações. Atualmente não existe vacina para prevenir a doença.

 

SARAMPO

Definição:

O Sarampo é uma doença viral aguda caracterizada por febre, tosse, conjuntivite, manchas vermelhas características na pele e também na mucosa bucal (manchas de Koplik). Pode-se afirmar que, em alguns países da América Latina, o sarampo tem sido uma das maiores causas de morte produzida por doenças infecciosas, transmissíveis e agudas.

 

Há uma relação direta entre a mortalidade devida ao sarampo, condições socioeconômicas precárias e subnutrição. O início dos sintomas coincide com o início das estações frias do ano. O contágio ocorre de pessoa a pessoa, pelas gotas de saliva, no período catarral e começo do eruptivo; não ocorre através de objetos nem de outras pessoas. Diferentes estudos ressaltam a conjuntiva (olhos) como a porta de entrada mais importante para o vírus do sarampo. A capacidade de contágio da doença se inicia ao final do período de incubação, chega ao máximo durante a fase catarral e continua até 5 dias depois de iniciada a erupção das manchas.

 

A fase de incubação é muito variável, entre 7 e 14 dias na média, mas pode prolongar-se até 18 ou 20 dias.

 

Quadro Clínico:

 

a) Período Inicial ou Catarral: Inicia-se com febre, que atinge sua elevação máxima no terceiro ou quarto dia da doença, mantendo-se alta durante a evolução do período eruptivo. A conjuntivite também aparece com bastante freqüência, acompanhada de inchação das pálpebras, lacrimejamento e intolerância à luz. Como conseqüência da reação inflamatória nas vias respiratórias, aparece uma tosse seca e persistente.Também pode haver comprometimento do estado geral, com fraqueza, sonolência anorexia, etc. Ao se examinar a cavidade bucal, as chamadas manchas de Koplik podem ser vistas. Aparecem como pequenos grãos de farinha fina implantados sobre uma pequena área vermelha na mucosa das bochechas.

 

b) Período de Declínio: O período de Estado se prolonga por 6 ou 7 dias ao final dos quais se normaliza a temperatura e desaparecem os principais sintomas. A doença produz nesta etapa uma diminuição dos mecanismos de defesa, o que pode dar origem a complicações como outras infecções.

 

Tratamento:

 

Como o sarampo é uma doença viral, e um medicamento específico para o agente causador ainda não foi desenvolvido, se não existe nenhuma complicação, o tratamento consiste em aliviar os sintomas.

 

O doente deve guardar repouso absoluto enquanto persistirem as manchas (aproximadamente uma semana). O ambiente deve estar ventilado, de temperatura moderada e com pouca luz. A alimentação deve ser completa, líquida ou leve e administrada em pequenas porções servidas freqüentemente.

 

A febre é combatida com medicamentos antitérmicos e líquidos abundantes; a tosse se alivia com a umidificação do ambiente ou com medicamentos.

 

SÍNDROME DA MORTE SÚBITA

A Síndrome da Morte Súbita do Lactente (SMSL) afeta crianças até um ano de idade que, sem apresentar sintomas, morrem inesperadamente, em geral enquanto dormem.

Excluem-se desta definição as crianças no período neonatal. As causas desta morte repentina de crianças aparentemente saudáveis ainda não foram determinadas com exatidão. É definida como síndrome justamente por ser o resultado de vários fatores que desencadeiam uma alteração respiratória do bebê durante o sono, causando a morte.

 

Podemos dizer que o bebê morre como conseqüência de uma falha até hoje não prognosticável nos mecanismos de controle nervoso.

 

A Síndrome da Morte Súbita é uma das principais causas de morte de lactentes com menos de um ano, com uma incidência levemente maior em meninos. A autópsia não define nenhuma causa de morte.

 

Em alguns países estabeleceu-se que 30% das mortes entre as duas semanas e um ano de vida correspondem a esta síndrome. Dentro desse período, a incidência da SMSL é maior entre o segundo e o quarto mês de vida.

 

Ocorre com maior freqüência em climas frios, e observou-se maior incidência em irmãos de bebês que sofreram SMSL.

 

Os especialistas aconselham a prestar atenção à respiração e ao estado geral do bebê enquanto dorme, a fim de poder detectar qualquer variação.

 

Entre os fatores de risco definidos até o momento podemos citar as apnéias, isto é, a ausência da respiração durante um período mais ou menos longo de tempo. É considerado um fator de risco sobretudo em crianças prematuras.

 

Algumas crianças apresentam apnéias, às vezes com ausência da respiração durante um período importante, durante as quais a pele muda de cor e torna-se arroxeada. Em outras ocasiões pode-se perceber uma palidez extrema, relaxamento dos músculos etc.

 

O que fazer?

 

Como já mencionamos, não se conhecem as causas da morte súbita do lactente e, portanto, ela não pode ser prevista.

 

Porém, é muito comum que os pais que passam por esta tragédia desenvolvam profundos sentimentos de culpa por sua suposta falta de cuidado e vigilância ou, num sentido mais geral, irresponsabilidade para com o bebê, o que não é verdade.

 

É claro, há certos fatores que, supõe-se, podem influir na síndrome da morte súbita. Entre eles está o consumo de drogas e álcool pela mãe durante a gravidez. Mas não se conhece a incidência real destes fatores na causa da síndrome. Portanto, não se pode atribuir aos pais responsabilidade alguma sobre esta síndrome e suas conseqüências.

 

As circunstâncias que cercam a SMSL provocam uma situação muito angustiante na família. Em princípio, há a dor da perda de um filho, principalmente por ser tão pequeno. Também há a intervenção das autoridades e as investigações perante a necessidade a determinar da causa da morte.

 

Na maioria dos casos, o medo disso acontecer novamente interfere com os desejos de ter outro bebê. Tudo isso faz com que seja aconselhável que um casal que passou por esta tragédia procure um psicoterapeuta

 

SINUSITE

A sinusite é um processo infeccioso que se desenvolve nos seios paranasais, produzida por bactérias, vírus, fungos. Os seios paranasais são cavidades localizadas atrás do nariz, que se comunicam com as cavidades nasais e atuam como caixa de ressonância para a voz.

Os microorganismos encontrados com maior freqüência são as bactérias: pneumococos (30% - 40%), Haemophilus influenza e Moraxella catarrhalis. Quanto aos vírus, são responsáveis por aproximadamente 15% das sinusites, sendo mais freqüentes os rinovírus, influenza A, adenovírus e parainfluenza.

 

Quadro Clínico

 

As manifestações clínicas se caracterizam pela eliminação de uma secreção purulenta, de cor verde ou amarelada, por um período de dez dias.

 

Nas crianças freqüentemente é acompanhada de inchação próximo do olho durante a manhã, tosse e febre. Em raras ocasiões observa-se um comprometimento do estado geral. As pessoas adultas manifestam, além disso, dor de cabeça, atrás dos olhos ou no rosto, dificuldade para respirar e alterações no olfato e no paladar.

 

Podem aparecer algumas complicações como conseqüência da disseminação da infecção, seja pelo sangue ou por contigüidade a estruturas vizinhas, produzindo infecção na pele do rosto, no cérebro.

 

Tratamento

 

No tratamento da sinusite deve tentar-se a drenagem das secreções e o controle da infecção. Mediante a inalação de vapor, facilita-se a eliminação das secreções, o que também pode ser realizado mediante a lavagem com soros salinos.

 

A administração de antibióticos deve durar de 10 a 12 dias, tempo considerado adequado para a maioria dos casos. Os antibióticos que podem ser utilizados são: amoxicilina (a cada 8 horas), trimetopima - sulfametoxasol (a cada 12 horas), cefaclor (a cada 8 horas) ou acetilcefuroxima (a cada 8 - 12 horas).