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PARACETAMOL

 

 

Paracetamol, a dose faz a diferença

 

 

Acetaminofeno (N-acetil-p-aminofenol), também conhecido como paracetamol, um analgésico popular e largamente utilizado que é frequentemente descrito como um fármaco associado a ingestões tóxicas.

A acetanilida é uma substância parente deste grupo de fármacos. Foi introduzida na medicina em1886 com o nome de antifibrina por Cahn and Hepp que descobriram acidentalmente a sua acção anti pirética. No entanto, provou-se que a acetanilida é excessivamente tóxica.

 Na procura de compostos menos tóxicos, o p-aminofenol foi experimentado, acreditando-se que o organismo oxida a acetanilida a p-aminofenol. A toxicidade não era menor, o que levou a que vários derivados químicos do p-aminofenol fossem testados. Dentro dos experimentados, o derivado mais satisfatório foi a fenacetina (acetofenetidina).

A fenacetina foi introduzida na terapêutica em 1887 sendo extensivamente usada em misturas analgésicas antes de esta ter estado implicada em casos de nefrotoxicidade provocada por sobredosagens. Esta nunca mais foi usada nos EUA.

O acetaminofeno foi primariamente usado em Medicina por Von Mering em 1893. No entanto, ganhou popularidade apenas desde 1949 após ter sido reconhecido como sendo o principal metabolito tanto da acetanilida como da fenacetina.

 

      

                                        Fig.1: Principais derivados do p-aminofenol e suas interrelações

 

Os efeitos tóxicos podem ocorrer quando os fármacos são usados de forma errónea.

Existem vários tipos de toxicidade:

 

1-efeitos tóxicos directos e previsíveis devido a alterações ou inibições do metabolismo. Ocorrem após overdoses;

 

2-efeitos tóxicos podem ocorrer após doses terapêuticas repetidas numa base metabólica, farmacológica e talvez imunológica;

 

3-efeitos tóxicos directos mas imprevisíveis que ocorrem após doses terapêuticas únicas e devido ao metabolismo idiossincrático ou a respostas farmacodinâmicas;

 

4-efeitos tóxicos devidos a outros fármacos ou substâncias que interferem com a disposição ou a resposta farmacológica em questão;

 

Elevadas doses de um xenobiótico podem rapidamente depletar os mecanismos de defesa celular. Elevadas doses podem também conduzir à saturação das principais vias de biotransformação não tóxicas.Vias secundárias, nas quais se formam intermediários reactivos, podem agora tornar-se activas.

Perante determinadas condições algumas vias de destoxificação podem ficar comprometidas e, doses não tóxicas do xenobiótico podem agora resultar em danos celulares.

 

 

Caracterização do acetaminofeno

 

Quimicamente, o acetaminofeno é um composto p-aminofenólico.

Os derivados p-aminofenólicos são compostos de síntese derivados da anilina (paracetamol e fenacetina), que se distinguem pelos seus efeitos tóxicos.

Farmacologicamente, o paracetamol vai ser utilizado devido às suas acções/funções:

 

      Analgésica (é capaz de controlar a dor reumatismal) A analgesia pode ocorrer a dois níveis:

1.      A nível periférico- capacidade de modular os receptores(efeito ligeiro do paracetamol).A acção analgésica é fraca.

 

  1. (espinal medula e tronco cerebral) o efeito do paracetamol na transmissão nociceptiva; mesmo em caso de inflamação, mantém-se.A nível central-

 

      Antipirética (deve-se à molécula de anilina ,que é uma amina aromática muito tóxica, que apenas serve para a introdução de radicais na estrutura, de forma a diminuir a toxicidade do composto base). È devido a esta acção que o paracetamol é usado como terapia de primeira linha na antipirese.

 

      Anti-inflamatória (fraca ou inexistente).Uma reacção infamatória designa os eventos que ocorrem nos tecidos em resposta a um organismo patogénico invasor. Consiste em reacções imunologicamente específicas e em reacções inatas sem base imunológica (vasculares e celulares) que inibem as enzimas do hipotálamo. O acetaminofeno não é capaz de inibir a COX quando existem peróxidos (H2X2) e radicais livres em concentrações elevadas. É de notar que, nos locais de inflamação normalmente existem grandes concentrações de peróxidos produzidos pelos leucócitos. Quando há peróxidos e radicais livres indicadores de inflamação (mensageiros pós-inflamatórios) a COX fica activada e produz prostaglandinas. Há fármacos que competem com eles impedindo que a COX se aperceba da inflamação.

Ao contrário de outros AINE’s (como o AAS), o paracetamol:

-          não interfere com a agregação plaquetária ;

-          não interfere com a acção dos anticoagulantes orais;

-          não tem acções metabólicas apreciáveis;

-          não modifica o equilíbrio ácido-base;

-          não modifica a eliminação do ácido úrico;

-          não está associado ao síndrome de Reye’s em crianças;

O paracetamol é bem e rapidamente absorvido por via oral e liga-se a proteínas plasmáticas.

 

 

 

Disponibilidade oral

Excreção urinária

Ligação no plasma (%)

Clearance (ml.min-1 .Kg-1)

Volume de distribuição (L/Kg)

T1/2 (h)

Pico máximo (h)

Concentração no pico máximo (mg/ml)

88+/-15

« crianças

3+/-1

«Recém-nascidos e crianças

<20 p="">

(50% de intoxicações agudas)

50+/-1.4 a)

¯ doentes hepáticos b)

«idosos e crianças,

­ obes,HTh,Preg

0.95+/-0.12 a)

«idosos, doentes hepáticos b) ,LTh, HTh, crianças

2.0+/-0.4

«

RD,Obes.crianças

­recém

nascidos,doentes hepáticos b)

¯HTh,Preg

0.33 a 1.4 c)

20 d)

 

Tabela 1

 

 

Os valores referidos na tabela 1, reportam-se a um modelo de cinética linear, para doses menores do que dois; o fármaco apresenta concentrações cinéticas dependentes, abaixo desta dose.

            a)      assumindo o peso corporal como 70 Kg, variando entre 65 a 72 Kg;

            b)      o acetaminofeno, induz dano hepático ou hepatite viral aguda;

            c)      velocidade de absorção, mas não extensivamente, depende do esvaziamento gástrico; é mais lenta após a ingestão de comida, tal como,       nalguns estados de doença e, co-tratamento com fármacos que causam gastroparesis;

            d)      concentração média é de 20 mg/Kg, dose oral, a toxicidade hepática, está associada com níveis maiores que 300 mg/ml, 4 h após uma       overdose;

 


Farmacocinética e metabolismo

 

O acetaminofeno é rapidamente e quase completamente absorvido a partir do tracto GI. O acetaminofeno tem uma distribuição relativamente uniforme ao longo da maior parte dos fluidos corporais.

 

Biotransformação do paracetamol

 

O acetaminofeno não inibe a activação dos neutrófilos tal como o fazem os outros AINE`S.

Doses terapêuticas únicas ou repetidas de acetaminofeno não têm efeitos nos sistemas respiratório e cardiovascular. Não provoca variações no equilíbrio ácido-base daí que não leve a irritação gástrica, erosão ou sangramento, que podem ocorrer pela administração de salicilatos. Tb não tem efeitos sobre as plaquetas, tempo de coagulação ou na excreção de ácido úrico.

Vai ser quase completamente metabolizado no organismo pelas enzimas microssomais hepáticas (o paracetamol é o substrato para a isoenzima CYPIA2-cit. P450).

Durante a permanência do paracetamol no organismo este vai ser biotransformado/metabolizado, ou seja, a sua molécula vai sofrer a acção de enzimas que pertencem a sistemas enzimáticos que mantêm o metabolismo normal do organismo, que modificam a sua estrutura e consequentemente as suas características físico-químicas e farmacológicas, podendo resultar  moléculas mais simples ou mais complexas.

Os metabolitos são mais hidrossolúveis do que os fármacos que lhes deram origem porque contêm em regra mais grupos funcionais hidrofílicos, ou porque apresentam fracções da molécula relativamente pouco lipofóbicas. Estes tendem a estar, em regra, mais ionizados a pH’s fisiológicos formando sais hidrossolúveis (havendo excepções), para tornar os metabolitos mais facilmente excretáveis do que os fármacos originais que, por sua vez são demasiado lipofilicos para serem absorvidos.

A biotransformação nem sempre implica a perda total ou parcial da actividade farmacodinâmica; também pode originar metabolitos activos, tóxicos ou inactivos.

A biotransformação dos fármacos faz-se frequentemente por várias reacções químicas simultâneas ou sucessivas, dependendo a formação dos metabolitos das reacções enzima/substracto existentes no momento.

 

 

 

 

Após doses terapêuticas 90% a 100% do fármaco pode ser recuperado na urina durante o 1º dia, primariamente após conjugação hepática com o ácido glucurónico (+/-60%), ácido sulfúrico (+/-35%) ou cisteína (+/-3%). Pequenas quantidades dos metabolitos hidroxilados e acetilados também podem ser detectados.

As crianças têm menor capacidade de glucuronidação do fármaco, do que os adultos.

 

Uma pequena porção de acetaminofeno é metabolizado pelo cit.P450, ocorrendo hidroxilação para formar NAPQI (N-acetil-benzoquinoneimina), um intermediário altamente reactivo. Este metabolito normalmente reage com grupos sulfidrilo da glutationa. No entanto, após a ingestão de longas doses de acetaminofeno, o metabolito é formado em quantidades suficientes para depletar a glutationa hepática.

          

                                       ACETAMINOFENO

 


 

Um exemplo de um intermediário reactivo tóxico, é um metabolito do acetaminofeno, que é muito reactivo e que se liga a nucleófilos tais como a glutationa.

Quando a glutationa celular é depletada o metabolito liga-se a macromoléculas celulares, mecanismo pelo qual o acetaminofeno mata as células do fígado.

O acetaminofeno é mais tóxico, quando as enzimas do citocromo P450 estão aumentadas, tal como após a exposição ao etanol ou ao fenobarbital, uma vez que estes são responsáveis pela produção de metabolitos tóxicos.

A biotransformação dos fármacos pode ter lugar em diversos órgãos: rim, intestino (incluindo a via biliar) e pulmão.

O fígado, é o órgão mais importante, devido à sua diversidade enzimática e, tem importância quantitativa resultante da sua massa, retículo endoplasmático e, citosol.

 

As reacções de biotrasformação podem ser:

 

      Reacções de fase I- funcionalização (não energéticas, não sintéticas); implicam alteração ou exposição de grupos funcionais; dependem das enzimas microssomais (ex. oxidações,  reduções e hidrólises).

 

      Reacções de fase II- conjugação (energéticas); formação de conjugados com grupos funcionais expostos; têm lugar na fracção solúvel da célula .

 

      Reacções de fase III- simplificação .

 

A maioria das reacções de biotransformação,  envolvem reacções de:

  • Oxidação
  • Redução
  • Hidrólise
  • Conjugação

 

A biotransformação tem como função transformar o xenobiótico (composto estranho ao nosso organismo) em compostos inactivos que vão ser eliminados.

A eliminação pode ocorrer por três vias principais:

 

  • (o que  consegue passar pelos poros do glomérulo renal)Via renal
  • Via fecal (que inclui a via biliar )
  • Via pulmonar

Mas, há outras vias de eliminação como por exemplo, através das glândulas sudoríparas, lacrimais, mamárias, ...

 

     O ideal seria, que quando administrássemos um fármaco ele actuasse no local certo, com uma concentração certa e, que aí exercesse a função desejada, sendo depois eliminado sem afectar mais nada. Mas, isto não acontece.

Quando um xenobiótico entra no nosso organismo, ninguém sabe o que lhe vai acontecer, tudo depende das enzimas que ele vai encontrar pelo caminho e, que o vão metabolizar. Há vários processos que o organismo usa para metabolizar os xenobióticos, mas não há garantia de que todos nós o façamos da mesma forma. Há uma grande variação metabólica na população. 

De uma maneira geral e, para doses terapêuticas, são em regra fármacos bem tolerados (não dão origem a compostos muito reactivos e praticamente não têm efeitos tóxicos)

 

 

Mecanismos de toxicidade

 

         O Paracetamol tem duas vias principais de metabolização (conjugação com ác. glucorónico e com ác. sulfúrico), para doses terapêuticas e de uma maneira geral, praticamente não se formam compostos muito reactivos visto que, a percentagem hidroxilada é muito baixa. Mas, quando ocorre overdose e outros casos específicos como, por exemplo, por indução do cit.P450 , o organismo deixa de ter capacidade para metabolizar o paracetamol, pelas duas vias principais e, entra em acção o cit.P450 que vai desidrogenar o paracetamol a NAPQI.O nosso organismo vai reagir de forma a eliminar este composto (NAPQI), fazendo-o reagir com a glutationa à conjugação, como via principal.

A glutationa é um péptido com 3 aminoácidos : ác. glutâmico, glicina e cisteína (local activoàgrupo sulfidrilo), é endógena. É sintetizada no fígado (onde se encontra em maior percentagem) e, distribuída a todas as partes do corpo (distribuição ubíqua). É uma molécula muito benéfica para o organismo durante o metabolismo. Intervém na síntese de DNA. Os seus níveis podem variar de pessoa para pessoa e, de estado fisiológico para estado fisiológico, dependendo da: alimentação, desporto...

A glutationa reage com o NAPQI, originando um conjugado que normalmente sofre reacção de fase III (simplificação) que é eliminado na urina. Esse conjugado designa-se de ác. mercaptúrico. Quando aparece na  urina, é sinal de que houve formação de compostos reactivos (NAPQI) que depois reagiram com a glutationa .

Em caso de overdose ou perante alguma deficiência na síntese de glutationa, esta esgota-se e, o organismo tem de produzir mais. Se a produção de glutationa não for suficiente, acumula-se NAPQI .

O NAPQI aumenta a intensidade de depleção de glutatião e é aumentado pelos indutores enzimáticos (álcool e fenobarbital). A ingestão crónica de glutatimida, fenobarbital, e fenitoína pode levar a necrose hepática rápida e acentuada, induzida pelo acetaminofeno, o que pode ser o resultado de uma conversão hepática aumentada do acetaminofeno aos seus metabolitos tóxicos (toxicidade aguda do acetaminofeno por drogas indutoras  enzimáticas ).

É de notar que pacientes alcoólicos e o uso de fármacos indutores enzimáticos, podem desenvolver toxicidade hepática após uma única dose elevada de acetaminofeno.

Após o uso crónico da droga, os pacientes pediátricos e alcoólicos, estão num risco aumentado. A ingestão crónica de etanol é aditiva do efeito hepatotóxico do acetaminofeno quando este é ingerido em grandes quantidades. No entanto, a ingestão aguda de etanol, numa única ingestão concominante com o acetaminofeno é protector (Rumack e tal 1981), o mesmo ocorre nas crianças (Rumack e tal 1984).???(43)

O efeito do etanol na toxicidade do acetaminofeno inclui mecanismos de indução do CitP450 CYP2E1.

Quando estamos perante uma overdose de paracetamol, podemos recorrer à terapia utilizando cisteína nas 12 a 15 horas seguintes, para levar à síntese de glutationa intracelular e levar à recuperação.

Atrasando o inicio da terapia com o antidoto por mais de 10h após a ingestão, aumenta o risco de toxicidade. Nenhum beneficio é observado quando a terapia com o antídoto é iniciada  mais de 24h após a ingestão.


        O antídoto N-acetilcisteína (NAC) aumenta a GSH hepática e destoxifica o NAPQI mas, a sua eficácia além de 16 horas, é controversa. A hepatotoxicidade não é normalmente evidente antes de 48 a 72 horas. O mecanismo da fase tardia, não é conhecido.

Trabalhos recentes mostram que a activação de mediadores inflamatórios, ocorre com toxicidade.

 Antídotos obsoletos: cistamina (mercaptamina), dimercaprol e penicilamina.

   Outros tratamentos: Vit.K, alopurinol, hemodiálise, hemoperfusão de carvão e transplante de fígado ortóptica.

 O perfil clínico da toxicidade de acetaminofeno, está dividido em 4 fases que variam dos sintomas menores tal como a irritação gastrointestinal, até ao coma e, à morte.

O sistema citocromo P450 é constituido por isoenzimas, está localizado no reticulo endoplasmático e move-se na membrana. Catalisa reacções oxidativas como: hidroxilações, epoxidações e oxidações.

 

     

Toxicidade associada ao Paracetamol

    Inicialmente os sintomas de toxicidade não são específicos (náuseas, vómitos) ou estão ausentes.

- Hepatoxicidade:

Mortes devidas a falha hepática, após uma overdose com acetaminofeno, usualmente ocorrem, pelo menos, 3 a 4 dias após a ingestão.

Concentrações pós-morten de acetaminofeno no sangue, podem ser congruente com a ingestão de doses terapêuticas. O tratamento médico de emergência, tal como a administração de fluidos, diuréticos ou transfusões sanguíneas podem diluir ou remover agentes tóxicos. Também a respiração mecânica, hemodiálise ou a hemoperfusão podem reduzir significativamente as concentrações sanguíneas iniciais letais de tóxicos.

A necrose hepática pode ser esperada após a absorção de 15,8g de acetaminofeno que corresponde à quantidade de fármaco necessária para depletar a glutationa existente num humano normal de 70Kg. Outros factores podem alterar este perfil. A ingestão de 15,8g pode não produzir toxicidade se nem toda a dose for absorvida, se o paciente tiver um inibidor da biotransformação, tal como o piperonil-butóxido, ou se sofrer de anorexia nervosa. Por outro lado ,indutores de biotransformação (indutores da enzima microssomal) tal como o fenobarbital, podem produzir mais de metabolito tóxico (Peterson and Rumack,1977).

A hepatotoxicidade do acetaminofeno pode ser aumentada pelo consumo de álcool etílico.

Apesar da segurança nas doses terapêuticas, overdoses com acetaminofeno produzem uma necrose hepática centrilobular que pode ser fatal.

Algumas descobertas indicam que o metabolismo do acetaminofeno a NAPQI pode não ser o único determinante de lise celular e morte. Descobriu-se que o stress metabólico activa as células residentes levando a um aumento da síntese de óxido nítrico (NO) e, superóxido que se combinam para formar peróxidonitrito que reage para formar canais proteicos de nitrotirosina. O peróxido nitrito também apresenta uma actividade semelhante à do radical hidroxilo. Põe-se a hipótese do peróxidonitrito gerado durante ou, como resultado da activação metabólica do acetaminofeno ser o principal determinante da hepatotoxicidade do acetaminofeno.

            A activação de uma percentagem relativamente pequena de paracetamol, a imina N-acetil-p-benzoquinona, pelo cit P450, predominantemente CYP 2EI, foi descoberto como estando envolvida no mecanismo de toxicidade hepática e provavelmente renal.

- Acidose metabólica

- Insuficiência renal – nefrotoxicidade:

Ratos de meia idade são mais susceptíveis à nefrotoxicidade do acetaminofeno, um efeito que se pode dever em parte a modificações relacionadas com a idade tais como: modificações na farmacocinética e acumulação do fármaco no córtex renal (Tarloff e tal. 1989).

Decerto factores, para além do metabolismo do fármaco e da sua farmacocinetica, parecem ter um importante papel na nefrotoxicidade dependente da idade, uma vez que, as lesões renais tubulares são mais severas nos ratos mais velhos, seguindo-se uma alteração bioquímica (isquemia ou anóxia) que é independente da disposição e da farmacocinética. (Goldstein e t al. 1988b). Assim, os rins dos ratos mais velhos são intrinsecamente mais susceptíveis a alterações tóxicas.

A falha renal nos chineses não é comum e, concluiu-se que este facto pode estar relacionado com a baixa incidência de danos no fígado, o que tem a ver com um alcoolismo menos crónico tal como diferenças étnicas no metabolismo do acetaminofeno, resultando numa redução inerente da susceptibilidade à toxicidade renal e hepática.

- Danos no miocárdio:

A terapia para a falha cardíaca fatal, devido a tóxicos do miocárdio induzidos por uma overdose inespecífica e intencional pelo acetaminofeno, inclui terapia com dextrose, neomicina, vitamina K, cimetidina e lactose.

- Sinais neurológicos incluindo coma

- Alterações hematológicas incluindo trombocitopenia:

      Metahemoglobinémia e anemia hemolítica (mais a fenacetina)

      Depressão medular (de uma ou mais linhas celulares)- raramente.

- Hipersensibilidade como rash cutâneo e febre medicamentosa

- Pancreatite

- Genotoxicidade:

Três possiveis mecanismos do paracetamol provocar genotoxicidade:1- Inibição da ribonucleótido redutase. 2- Aumento dos níveis de cálcio intranuclear e citosólico 3- Danos causados pela NAPQI após deplecção da glutationa ( todos os mecanismos envolvem doses despoletantes).

Durante os últimos anos muitos artigos demonstraram os efeitos genotóxicos do paracetamol. Assim, uma avaliação cuidada dos efeitos genotóxicos demonstraram que o uso de paracetamol é alarmante.

Estudos in vitro e in vivo indicam que os metabolitos reactivos do paracetamol podem-se ligar irreversivelmente ao DNA causando quebras na cadeia de DNA. O paracetamol inibe tanto a síntese do DNA replicativo como a síntese do DNA reparador, in vitro e também em experimentação animal. O paracetamol não causa mutações genéticas nem nas bactérias nem nas células dos mamíferos. Por outro lado o efeito co-mutagénico do paracetamol tem sido divulgado. Para além disso, o paracetamol aumenta a frequência dos danos cromossomais nas linhas celulares dos mamíferos e de linfócitos humanos isolados de animais experimentais. Dois estudos independentes mostraram um aumento dos danos cromossomais em linfócitos de voluntários humanos após estes terem tomado doses terapêuticas de paracetamol. No entanto um terceiro estudo foi negativo. Os danos cromossomais induzidos pelo paracetamol parecem ser causados pela inibição de uma ribonucleótido redutase. Isto indica que pode existir um nível despoletante para o paracetamol induzir danos cromossomais. Os efeitos genotóxicos do paracetamol têm, no entanto, vindo a ser demonstrados tanto in vivo como in vitro, nas ou perto das concentrações terapêuticas. Deste modo deve ser avaliado o efeito benéfico da terapêutica com o paracetamol, tomando em consideração não apenas o potencial de indução de danos agudos ou crónicos nos órgãos, mas também os seus efeitos crónicos:

-    Toxicidade nos recém nascidos

-    Carcinogenicidade

-    Efeitos de envelhecimento

-  Efeitos hepáticos:

Pode ser severa e causar a morte, em caso de overdose. Em laboratórios, a hepatoxicidade geralmente desenvolve-se 24 a 36h após a ingestão.

-    Gravidez:

O acetaminofeno atravessa a placenta e, as células do fígado fetais são capazes de metabolizar o acetaminofeno causando um risco de overdose no feto.

-    Cardiovascular:

            Com exposição ao tóxico. Provoca danos no miocárdio com alterações no E.C.G. Não está esclarecido se o acetaminofeno é uma toxina directa para o miocárdio ou, se esses efeitos são secundários a alterações metabólicas ou cardiopulmunares induzidas pela severa toxicidade do acetaminofeno.

- Respiratórios:

Com exposição ao tóxico pode-se desenvolver um edema pulmonar não cardiogénico em pacientes com grandes quantidades de APAP.

-    Neurológicos:

Coma e acidose metabólicas após 3 a4h da ingestão são raras. Todos os pacientes apresentam Í´veis plasmáticos de acetaminofeno extremamente elevados (> 800 mcg/ml).

-    Gastointestinal:

Com exposição ao tóxico; após ingestão, podem ocorrer logo náuseas e vómitos que, podem ser revertidas 12 a 24h após o início de dor abdominal e hepatotoxicidade. É comum ocorrer hyperamylasemia contudo, os sinais clínicos de pancreatite podem não ser óbvios. Um caso único de hemorragia dos anéis do esófago após uma overdose surgiu associado a hepatotoxicidade severa.

- Hepático:

Com exposição ao tóxico; uma overdose aguda pode provocar uma hepatoxicidade severa que pode ser debelada 4 dias após a ingestão. As evidências laboratoriais de hepatotoxicidade são geralmente observadas com 24 a 48h. As crianças não desenvolvem hepatotoxicidade, a partir de uma overdose aguda, tão frequentemente.

-    Genito-urinário:

Com exposição ao tóxico; pode ocorrer dano renal transitório. Os efeitos nefrotóxicos incluem necrose tubular aguda, dor lateral, hematúria, proteinúria e efeitos sobre a hormona anti-diurética. Não está clara a associação entre o uso terapêutico crónico de acetaminofeno e o dano renal.

-    Ácido-base:

        Com exposição ao tóxico; a acidose metabólica e os altos níveis sanguíneos de lactato podem ser vistos cedo (após 12h), especialmente em overdoses severas. A acidose metabólica é comum 3 a 4 dias após a ingestão, em pacientes que desenvolvem falência hepática.

-    Fluido electrolítico:

        Com exposição ao tóxico; casos de Hypophosphatemia foram relatados com ou sem dano hepático em pacientes com overdose aguda.

-    Hematológicos:

        Com exposição ao tóxico; casos de trombocitopenia são raros. Pode ocorrer hemólise em pacientes com deficiência em G6PD após uma overdose aguda de acetaminofeno.

- Endócrino:

        Com exposição ao tóxico; a hiperglicémia é rara e pode representar uma interferência no laboratório. Hipoglicémia pode ocorrer 2 a 4 dias após overdose com falência hepática.

-    Reprodução:

APAP atravessa a barreira placentária e fica em muito maior quantidade no sangue fetal, em relação ao sangue materno. Após uma overdose com APAP, numa grávida, deve-se começar mais cedo possível o tratamento com N-acetilcisteína (NAC). A ingestão por uma mãe de doses recomendadas de APAP não é um risco para o feto ou lactentes.

- Outros:

Podem ocorrer interacções entre o acetaminofeno e a isoniazida, interferão/vimblastina (em grande quantidade), anticonvulsivantes e cafeína.

 


Anexos:

 

Nomes comerciais de medicamentos com Paracetamol existentes no mercado:

 

Panadol

Panasorbe

Anadin Paracetamol

Atralidon

Ben-u-ron

Efferalgan

Katagrip

Pantadolor

Paracetamol MG:

      Paramolan

      Parsel-G

      Parsel-S

      Suponen

      Tylenol

      Vimergol

      Zaramol

Também há associações de Paracetamol com outros fármacos.